domingo, 27 de março de 2016

Tradução pascoal

Simão, o cirineu
Aquele que carregou a cruz
Eu estava em meu caminho para a lavoura quando avistei-Lhe carregando Sua cruz; e Ele era seguido por uma multidão.
Seu fardo parou-Lhe muitas vezes, pois Seu corpo estava exausto.
Então um soldado romano aproximou-se de mim, dizendo "venha, você é forte e robusto; carregue a cruz deste homem."
Quando ouvi essas palavras meu coração palpitou dentro de mim e fiquei grato.
E eu carreguei Sua cruz.
Ela era pesada, pois era feita de álamo encharcado pelas chuvas de inverno.
E Jesus olhou para mim. E o suor da Sua testa descia até Sua barba.
Novamente Ele me olhou e disse "Tu também beberás deste cálice? De fato tu sorverás esta borda comigo até o fim dos tempos."
Dizendo assim, Ele pôs Sua mão sobre meu ombro livre. E caminhamos juntos em direção à Colina da Caveira.
Mas agora eu não sentia mais o peso da cruz. Eu sentia apenas Sua mão. E era como a asa de um pássaro sobre o meu ombro.
Então alcançamos o topo da colina, e lá eles deveriam crucificar-Lhe.
E então eu senti o peso da árvore.
Ele não pronunciou nenhuma palavra quando eles colocaram os pregos em suas mãos e pés, nem emitiu Ele qualquer som.
E os Seus membros não tremeram sob o martelo.
Era como se Suas mãos e pés tivessem morrido e viveriam novamente quando banhadas em sangue. Também era como se Ele buscasse os pregos como um príncipe busca seu cetro; e como se Ele ansiasse ser alçado às alturas.
E meu coração não pensou em ter pena dEle, pois eu estava preenchido demais para imaginar.
Agora, o homem cuja cruz eu carreguei havia se tornado minha cruz.
Se dissessem a mim novamente "carregue a cruz deste homem", eu iria carregá-la até que meu caminho terminasse no túmulo.
Mas eu iria implorá-Lo para que pusesse Sua mão sobre meu ombro.
Isso aconteceu muitos anos atrás; e ainda quando eu sigo pela fileira da plantação, e naquele momento sonolento antes de dormir, eu penso naquele Amado Homem.
E eu sinto a Sua mão alada, bem aqui, no meu ombro esquerdo.
Khalil Gibran

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Poema "Sansão Expandido", que publiquei no facebook, para arquivo:



Sansão expandido

Ainda jovem eu despedacei um leão
Tão fácil como se fosse um cabrito
Vai dizer que não tenho coração
Você, fracote, morreria, eu virei mito.

Juntei trezentas raposas em chamas
E meus inimigos conheceram a fome
De estômago vazio em suas camas
Nunca mais esquecerão meu nome.

Com uma queixada de jumento,
Fiz deles jumentos também.
Amontoei-os em um momento,
Mandei milhares para o além.

Em Gaza vi o portão da cidade,
Arranquei-o com tranca e tudo.
Tão fraquinho, que infelicidade
Não me servia nem para escudo.

Na última quadra fiquei careca
E até bem fraco que nem você.
Riram, mas eu que preguei a peça,
Nunca viram tanto filisteu morrer.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Arquivando um poema

Arquivando um poema difícil de encontrar:

A LÁZARO
Está bem, está bem,
abriram-te a caverna,
sacudiram-te o sono,
mandaram-te sair,
e o cão à voz do dono
abandona ao ouvir
a solidão que tem.
Mas a tua era eterna!
Ninguém te perguntou
se querias voltar,
sofrer, recomeçar,
ser... Gritaram-te: "Vem! ".
Eu não iria... "Não vou! ".


Bruno Tolentino

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Uma resposta a Cine Íris

Novas novelas
Misturam-se com velhas:
Pregar a essa Nínive odienta
Tal Jonas, minha alma receia
Preferindo enfiar-me no ventre
daquela enorme baleia.

Perdoe-me a aspereza
Com que nego a missão que me impôs
É que ainda nos anos noventa
Tive a infeliz certeza
De que fui nascido depois

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Poema de G. K. Chesterton, tradução minha

Da autoria de um bebê que não nasceu

Se as árvores fossem altas e a grama curta,
Como em algum conto maluco,
Se aqui e acolá um mar fosse azul
Além do branco que ofusca,

Se uma bola de fogo pendesse no ar
Para me aquecer durante o dia,
Se cabelo verde crescesse nas altas montanhas
Eu sei o que eu faria.

No escuro eu permaneço; sonhando que há
Grandes olhos, frios ou gentis,
E ruas tortas e portas silenciosas,
E homens detrás delas a morar.

Que as nuvens negras venham: melhor uma hora
Sair para chorar e lutar,
Que toda a eternidade a governar
Os impérios da noite a fora.

Eu acho que, se me deixassem
Adentrar o mundo e lá fazer morada,
Eu seria bom durante todos os dias
Que eu passasse na terra encantada.

Não ouviriam de mim um gemido
De egoísmo ou desdém
Se apenas eu encontrasse a porta
Se apenas eu fosse nascido.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Tchau, Seedorf!


E o craque holandês Clarence Clyde Seedorf, 4 vezes vencedor da Champions League e único jogador a vencer esse torneio por 3 clubes diferentes, encerrou sua carreira de futebolista profissional no Botafogo de Futebol e Regatas, clube de Nilton Santos. Em 2013, aos 37 anos, bateu seu recorde de jogos e gols em uma temporada, 56 e 15. Marcou um total de 24 gols pelo Botafogo, mais que pelo Real Madrid, 20, e Inter de Milão, 14. Obrigado, Seedorf, por ter escolhido o meu clube para encerrar a sua brilhante carreira, e pelo futebol de altíssimo nível que demonstrou, mesmo jogando com uma idade em que a maioria dos jogadores já teria parado. Que sua carreira como treinador seja igualmente brilhante e repleta de vitórias.


domingo, 11 de agosto de 2013

Soneto Para o Meu Pai

O semblante do meu pai é grave,
Temível para o menino aqui dentro.
Queria conhecer seus pensamentos
Sempre guardados aí nesse enclave.

Acalanto um sonho com o momento
Em que derrubo a porta, sem chave
O menino cede ao homem, eu entro
E sinto tua alma, e ela é suave.

Hoje também tornou-se grave
O meu semblante, como ave
De mesma plumagem, argumento

Que é por ti que eu me oriento
Pedindo desculpa pelo entrave
De ser um bocadinho rabugento.

domingo, 23 de junho de 2013

Piada atual

Um português, um espanhol e um italiano encontraram um índio feroz na mata. O índio disse:
- Cara pálida pedir o que quiser, se índio trouxer faz canoa com couro de vocês!
Então o espanhol pediu um computador de última geração. O índio trouxe, matou o espanhol, tirou o couro e fez dele uma canoa.
Depois o italiano pediu um avião. O índio trouxe, matou o espanhol, tirou o couro e fez dele uma canoa.
Então chegou a vez do português e ele disse:
- Eu quero um garfo.
E o índio respondeu:
- Garfo? Muito fácil, cara pálida!
Então o índio trouxe um garfo. O português pegou o garfo, se furou todinho enquanto dizia:
- Com meu couro ninguém faz canoa! Com meu couro ninguém faz canoa!

Lembro dessa piada de quando era pequeno demais pra entendê-la. E hoje, relembrando-a, não posso deixar de notar uma certa "verossimilhança".

terça-feira, 28 de maio de 2013

Thomas - Gojushiho-sho Shotokan

Releitura

Certa vez, um erudito resolveu fazer ironia comigo. Perguntou-me:

“O que é que você leu?”. Respondi: “Dostoievski”. Ele queria me atirar na cara os seus quarenta mil volumes. Insistiu: “Que mais?”. E eu: “Dostoievski”. Teimou: “Só?”. Repeti: “Dostoievski”. O sujeito, aturdido pelos seus quarenta mil volumes, não entendeu nada. Mas eis o que eu queria dizer: pode-se viver para um único livro de Dostoievski. Ou uma única peça de Shakespeare. Ou um único poema não sei de quem. O mesmo livro é um na véspera e outro no dia seguinte. Pode haver um tédio na primeira leitura. Nada, porém, mais denso, mais fascinante, mais novo, mais abismal do que a releitura.

- Nelson Rodrigues

domingo, 1 de abril de 2012

Post do Facebook sobre internação de Eliot

Desde terça-feira, 27/03, o meu filhote está internado no Hospital da Unimed aqui em Feira de Santana, o único hospital credenciado pelo plano de saúde Cassi que faz internação infantil. Da terça pra quarta ele dormiu junto com a mãe numa espécie de enfermaria infantil completamente precária e inapropriada, num tipo de maca pra crianças, sem grades, obrigando a mãe a passar a noite acordada, tomando conta, sentada numa daquelas cadeiras de plástico de varanda que se compra em supermercado. No outro dia pela manhã quando fui visitá-lo antes de ir ao trabalho eles ainda estavam lá, e o hospital dizia providenciar um apartamento até o meio-dia. Voltei à tarde, 15h, e meus amores continuavam no mesmo estado. Dessa vez a enfermeira chamou um segurança para me expulsar do local, alegando que só podia ficar um acompanhante. Fiquei sabendo que pela manhã acontecera o mesmo com a minha mãe. Comecei a reclamar dizendo que minha esposa já estava ali cansada, que eu estava lá pra ajudá-la e não estava atrapalhando e ela falou que era por causa da superlotação. Eu reclamei das condições do local e questionei como permitiam que uma mãe passasse a noite ali com um filho de 8 meses, mas não permitiam que o pai viesse ajudar no outro dia, ao mesmo tempo em que disse que não sairia de lá nem obrigado. Disse que quem deveria sair dali era ela, que não estava fazendo nada. A enfermeira considerou minha reação como uma grande falta de educação da minha parte, que educação vinha de berço (engraçado ela dizer isso, pois berço é justamente o que faltava e um dos motivos da minha indignação), não era obrigada a ouvir aquelas coisas etc. E eu falei que ela ouvia porque tinha falado, se tivesse ficado calada não teria ouvido nada. Continuei a reclamar das condições do local e do sofrimento dos meus amores. Ela respondeu, como uma pessoa de sensibilidade notável, que quem estava passando por aquilo era meu filho e não eu. Eu nem consegui acreditar que tinha ouvido aquilo, e não entendi como ela imaginou que isso fosse algum atenuante pra situação, pois sempre achei que qualquer pessoa normal sofreria muito mais pelo filho do que por si própria. A coisa ficou nesse pé, e só depois das 18h o hospital acomodou meu filho e minha mulher num apartamento. Acomodou muito mal, diga-se de passagem, pois o quarto não tinha berço, apenas um leito para pacientes adultos, e minha esposa ainda tem que vigiar o sono dele durante a noite. Mesmo após pedir o berço todos esses dias, não conseguimos nada. Na quinta-feira meu filho de 8 meses fez um punção lombar. Na sexta-feira meu filho foi sedado para fazer uma tomografia. Após acordar do sedativo, uma enfermeira tentou ativamente assassinar meu filho levando ao quarto dele um xarope (que imagino aceleraria os batimentos cardíacos e misturado aos efeitos de um sedativo poderia provocar parada cardíaca), e teimando que deveria dar o xarope mesmo quando questionado a respeito pela mãe. Não deu porque o menino estava mamando e minha mulher pediu que esperasse. Após isso minha mulher leu o nome que estava no remédio e era para Daniel. Todo mundo sabe que meu filho se chama Eliot e até hoje não sabemos se Daniel recebeu o remédio correto. Hoje, sábado, fiquei sabendo que derramaram o material coletado na punção lombar e por isso não tinham feito o exame. Amanhã meu filho precisará passar novamente por esse procedimento doloroso e arriscado.
A boa notícia é que o menino tem tomado antibióticos e, apesar do Hospital Unimed, aparenta estar com a saúde de um touro.

Como o texto está sendo compartilhado e comentado inclusive por várias pessoas que não conheço, meu pai me aconselhou a trocar o que escrevi, onde disse que a enfermeira "tentou ativamente assassinar meu filho". Eu não vou trocar. O que escrevi, escrevi. É uma maneira de falar. Eu sei que ela não tinha esse objetivo, pois acredito que seja no mínimo uma pessoa sã, mas esse poderia ser o resultado da sua atitude desleixada e irresponsável. Eu não tenho como provar que isso aconteceu, exceto pelo testemunho da minha esposa, mas faço questão de deixar registrado, e com essas palavras mesmo, pois era a vida do meu filho que estava em perigo, por conta da negligência dela.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Frases de Millôr Fernandes

* “Xadrez é um jogo chinês que aumenta a capacidade de jogar xadrez”

* “Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem”

* “O melhor movimento feminino ainda é o dos quadris”

* “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim” 

* “Otimismo é atirar-se do 20° andar e, ao passar pelo 18°, constatar: até aqui, tudo bem”

* “Os corruptos podem ser encontrados em várias partes do mundo, quase todas no Brasil”

* “A corrupção anda tão generalizada que já tem político ofendido ao ser chamado de incorruptível”

* “Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”

RIP

domingo, 29 de janeiro de 2012

Trecho de poema de T. S. Eliot

We build in vain unless the Lord build with us.
Can you keep the City that the Lord keeps not with you?
A thousand policemen directing the traffic
Cannot tell you why you come or where you go.
A colony of cavies or a horde of active marmots
Build better than they that build without the Lord.
Shall we lift up our feet among perpetual ruins?
I have loved the beauty of Thy House, the peace of Thy
sanctuary,
I have swept the floors and garnished the altars.
Where there is no temple there shall be no homes.
Though you have shelters and institutions,
Precarious lodgings while the rent is paid,
Subsiding basements where the rat breeds
Or sanitary dwellings with numbered doors
Or a house a little better than your neighbour's;
When the Stranger says: "What is the meaning of this city?
Do you huddle close together because you love each other?"
What will you answer? "We all dwell together
To make money from each other"? or "This is a community"?
And the Stranger will depart and return to the desert.
О my soul, be prepared for the coming of the Stranger,
Be prepared for him who knows how to ask questions.


Nós construímos em vão, exceto se o Senhor constrói conosco.
Podes tu guardar a Cidade se o Senhor não guardá-la contigo?
Mil policiais controlando o trânsito
Não podem te dizer porque tu viestes ou pra onde tu vais.
Uma colônia de porquinhos-da-Índia ou um bando de marmotas
Constroem melhor do que aqueles que constroem sem o Senhor.
Devemos nós alçar nossos pés por entre ruínas perpétuas?
Eu tenho amado a beleza da Tua Casa, a paz do Teu
santuário,
Eu tenho varrido os assoalhos e ornado os altares.
Onde não há nenhum templo não haverá nenhum lar.
Apesar de vós terdes abrigos e instituições,
Alojamentos precários enquanto o aluguel está pago,
Baixos porões onde os ratos procriam
Ou residências sanitárias com portas numeradas
Ou uma casa um pouco melhor que a do teu vizinho;
Quando o Desconhecido disser: "Qual o propósito desta cidade?
Vocês se amontoam próximos uns dos outros porque se amam uns aos outros?"
O que vós respondereis? "Nós todos vivemos juntos
Para ganhar dinheiro uns dos outros"? ou "Isto é uma comunidade"?
E o desconhecido partirá e retornará para o deserto.
Ó, minh'alma, esteja preparada para a vinda do Desconhecido,
Esteja preparada para aquele que sabe como fazer perguntas.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Coração Louco



Música do filme "Coração Louco", de 2009, com Jeff Bridges. Segue letra e minha tradução:

Fallin' and Flyin'

I was goin’ where I shouldn’t go
seein’ who I shouldn’t see
doin’ what I shouldn’t do
and bein’ who I shouldn’t be

a little voice told me it’s all wrong
another voice told me it’s alright
I used to think that I was strong
but lately I just lost the fight

funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while
funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while

I got tired of bein’ good
started missing that old feeling free
stop actin’ like I thought I should
and went on back to bein’ me

I never meant to hurt no one
I just had to have my way
if there is such a thing as too much fun
this must be the price you pay

funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while
funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while

you never see it comin’ till it’s gone
it all happens for a reason
even when it’s wrong
especially when it’s wrong

funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while
funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while

I was goin’ where I shouldn’t go
seein’ who I shouldn’t see
doin’ what I shouldn’t do
and bein’ who I shouldn’t be

***

Caindo e Voando

Eu estava indo aonde não deveria ir
Vendo quem eu não deveria ver
Fazendo o que eu não deveria fazer
E sendo quem eu não deveria ser

Uma vozinha me contou que estava tudo errado
Outra voz me disse que estava tudo certo
Eu costumava pensar que eu era forte
Mas ultimamente eu simplesmente perdi a luta

Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante
Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante

Eu cansei de ser bonzinho
E comecei a sentir falta da velha liberdade
Parei de agir como eu pensei que deveria
E voltei a ser eu mesmo

Nunca tive intenção de machucar ninguém
Simplesmente tive que seguir o meu caminho
Se há algo como excesso de diversão
Este deve ser o preço que se paga

Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante
Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante

Você nunca vê chegar até que já se acabou
Tudo acontece por uma razão
Mesmo quando é errado
Especialmente quando é errado

Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante
Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante

Eu estava indo aonde não deveria ir
Vendo quem eu não deveria ver
Fazendo o que eu não deveria fazer
E sendo quem eu não deveria ser

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Marcador de combustível

A maioria das pessoas não vê nenhum mistério no funcionamento do marcador de combustível do automóvel. Quando o ponteiro está apontado para a posição cheio, o tanque está cheio. Quando está marcando a posição vazio, o tanque está vazio. Simples, não? Nem tanto. Você já deve ter notado que nos primeiros 40 ou 50 quilômetros, o ponteiro praticamente não se mexe, ao passo que quando você está nas últimas gotas de combustível, o ponteiro cola no vazio e te deixa se borrando de medo de uma pane seca, apesar de que, quando você completa o tanque, descobre que ainda tinha pelo menos um ou dois litros. A grande razão desse fenômeno é a bóia que mede o nível de combustível. Ela é muito parecida com a bóia de um reservatório de água ou de uma descarga de privada. Uma haste fina com uma peça de plástico na ponta, mais grossa que a haste. Por ser mais grossa que a haste, a peça de plástico vai ficar completamente submersa quando o tanque estive cheio, e continuará a boiar no nível máximo após consumir alguns litros, não gerando nenhuma alteração no ponteiro do marcador de combustível, como podemos ver na imagem.

Pela razão oposta, o ponteiro também não vê muita diferença entre quase vazio e completamente vazio:

sábado, 26 de novembro de 2011

Esquete chato

Sobre DVDs e blu-ray, tenho muita raiva quando vou assistir a um filme que comprei e antes tem aqueles esquetes idiotas falando sobre como a pirataria ajuda o crime organizado etc etc. No BD e no DVD pirata nem deve ter aquilo, porque os piratas devem cortar do filme, ou mesmo filmam no cinema e depois gravam. Seria igualmente chato, mas pelo menos lógico, se os esquetes me agradecessem por ter adquirido uma cópia legítima do filme. Minha coleção é razoável, contando com mais de 400 DVDs e mais de 50 blu-ray discs. E realmente fico indignado toda vez que vejo meus filmes praticamente me acusando de comprar filmes piratas, coisa que nunca fiz.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Criada a Associação Feirense dos Torcedores do Botafogo

Foi criada na tarde desta terça-feira, 15, a Associação Feirense dos Torcedores do Botafogo, entidade que pretende organizar a torcida do Alvinegro em Feira de Santana. O evento se deu durante confraternização de dezenas de torcedores - todos com camisas do "Glorioso " - do time carioca, que contou com feijoada, no Paraíso da Carne de Sol, na avenida Maria Quitéria. A primeira diretoria da Associação foi eleita por aclamação. Prsidente de honra: Jonathas Telles de Carvalho, 96 anos (torcedor desde 1930), que emocionou a todos com sua mensagem dada. Presidente: José Boa Sorte Farias, vice-presidente: Raul Silva Sampaio, secretário: Dimas Boaventura de Oliveira, tesoureiro: Jossé Freire de Freitas, e relações públicas: Humberto Cedraz Filho. Presentes, outros torcedores alvinegros como vereador Alcione Cedraz, secretário Carlos Brito, jornalista Humberto Cedraz, radialista Jair Cezarinho, bancário Thomas Rabelo de Oliveira, publicitário Vivaldo Lima, entre outros.

Fonte: Blog Demais

sábado, 29 de outubro de 2011

Muamar Kadafi

Publicado originalmente em 26/02/2011


Muamar Kadafi tomou o poder na Líbia em 1969, com apenas 27 anos de idade. O seu primeiro ato como governante da Líbia foi expulsar todos os italianos do país, demonstrando o seu apreço pela Itália. Ele entregou o posto de Primeiro Ministro três anos depois, em 1972, e passou a se chamar "Líder e Guia Irmão da Revolução" e "Guia da Grande Revolução de Primeiro de Setembro da Grande Jamahiriya Árabe Líbia Popular e Socialista", provavelmente considerando que uma plaqueta dessas no seu gabinete cairia melhor que a de Primeiro Ministro.
Placa mostrando a frase "Grande Jamahiriya Árabe
Líbia Popular e Socialista" em Praga.

Jamahiriya vem a ser um neologismo árabe para república das massas. Kadafi começou a se vestir de maneira absurda, além de usar maquiagem exagerada. Ao mesmo tempo ele ordenou que o seu esquadrão de guarda-costas fosse composto por mulheres virgens. Em 2010 ele visitou a Itália e deu uma palestra exclusiva para mulheres, todas pagas para assistir. Nessa palestra ele declarou que toda a Europa deveria se converter ao Islã, e também que a União Européia deveria pagar 5 bilhões de euros por ano para dar fim à imigração ilegal de líbios para o velho mundo.

Guarda-costas virgens e roupas extravagantes,
combinação perfeita para impor respeito no mundo dos ditadores insanos.

Num discurso de duas horas feito na ONU, durante o qual inúmeras delegações se retiraram em protesto, Kadafi declarou apoio aos piratas somali, chamou Barak Obama de "meu filho", afirmou que Israel era responsável pelo assassinato de JFK e em seguida reclamou aos líderes mundiais reunidos para ouvi-lo que estava cansado e sofrendo de jet lag por causa da viagem de avião. 


Deixaram ele falar, agora aguentem.

Até o momento, Kadafi ainda está no poder e anuncia que lutará até a última gota de sangue para não sair dele. Considera que é muito importante para a Líbia continuar sendo governada por um dos donos da Juventus de Turim (comprou uma parte do clube apenas para que um de seus filhos pudesse ter a chance de jogar lá), e também o cara que fez uma petição à ONU para que dissolvesse a Suíça e dividisse o território entre Alemanha, França e Itália. Provavelmente ele vai banir os suíços do país.


Update: Kadafi foi executado sumariamente em 20 de outubro de 2011, em Sirte. Como muitas das vítimas do seu regime, não lhe foi concedido um julgamento justo e civilizado.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Teclado QWERTY, por que continuar?

O modelo de teclado QWERTY foi inventado há 130 anos e é completamente ineficiente. Só continuamos com ele por hábito. Tudo avançou no mundo da informática, menos esse modelo. O fato é que esse modelo de teclado foi concebido unicamente para impedir que as teclas próximas das antigas máquinas de escrever enganchassem menos umas nas outras, ao fazer com que as pessoas digitassem mais devagar. Dessa forma procurou-se colocar as teclas mais usadas de maneira separada. As primeiras máquinas tinham o teclado em ordem alfabética, o que apresentou vários problemas de "engarrafamento" nas teclas e o novo teclado foi criado especificamente para diminuir a velocidade. É completamente desnecessário já que aposentamos as máquinas de escrever há anos. Para se ter uma ideia, milhares de palavras da língua inglesa podem ser escritas usando apenas as teclas da mão esquerda, enquanto apenas umas poucas centenas de palavras poderiam ser escritas do lado direito, que costuma ser predominante.