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domingo, 19 de dezembro de 2010

Porque celebrar o Natal

Só existe um motivo para celebrar o Natal, mas esse motivo é tão amplamente ignorado que as festas natalinas devem ser consideradas uma superstição em sentido estrito, a repetição ritualizada de uma conduta habitual que já não tem significado nenhum e na qual, portanto, cada um está livre para projetar as fantasias bobas que bem entenda.

Jesus Cristo, encarnação do Verbo Divino, ou inteligência de Deus, veio ao mundo para oferecer-se como vítima sacrificial única e definitiva, encerrando um ciclo histórico que durava desde as origens da humanidade e que era regido essencialmente pela Lei do Sacrifício (v. Ananda Coomaraswamy, A Lei do Sacrifício, e René Girard, O Bode Expiatório).

A Lei do Sacrifício é inerente à estrutura da existência cósmica. Só Deus tem a plenitude do ser, e o que quer que exista sem ser Deus tem uma existência precária, fundada num débito ontológico insanável, que na escala da alma humana se manifesta como culpa.

A Lei do Sacrifício não pode ser suspensa e jamais o foi.

O que Nosso Senhor Jesus Cristo fez foi cumpri-la toda de uma vez, instituindo em lugar do Sacrifício a Eucaristia, que é a recordação do ato sacrificial definitivo. A recordação passa então a ter o valor de uma repetição sem necessidade de novas vítimas.

Antes as vítimas se somavam: 1 + 1 + 1 + 1...

Agora a vítima única se multiplica por si mesma no ato da Eucaristia: 1 x 1 x 1 x 1...

Façam as contas e compreenderão por que o Natal deve ser celebrado.

O problema é que o fim de um ciclo histórico não traz necessariamente, para as gerações seguintes, a consciência da mutação ocorrida.

Essa consciência deve ser reconquistada e retransmitida de geração em geração, e na sociedade moderna essa transmissão cessou já faz algum tempo. Pouquíssimas pessoas têm uma consciência clara do que ganharam com o Natal. A maioria, mesmo quando recebe presentes, não sabe que eles apenas simbolizam um ganho muito maior que já foi obtido 2003 anos atrás.

Esse ganho pode ser explicado em poucas palavras:

Todo homem, pelo simples fato de existir, é atormentado pela culpa e vive num constante discurso interior de acusação e defesa, que produz medo, ódio, inveja, ciúme, busca obsessiva de aprovação. Esses sentimentos tornam o homem vulnerável às palavras más, às acusações e insinuações que lhe chegam de seus semelhantes, da cultura ambiente ou de seu próprio interior. O conjunto dessas acusações e insinuações é o espírito demoníaco, que em razão da culpa mesma tem poder incalculável sobre o ser humano. Em busca de proteção contra esse poder, o homem se submete aos maus e aos intrigantes, isto é, aos representantes do próprio espírito demoníaco, acreditando que aqueles que podem feri-lo devem também poder ajudá-lo. Com isso ele se torna a vítima sacrificial, o bode expiatório num grotesco ritual simulado.

Cristo adverte-nos que esse sacrifício é inútil, desnecessário e pecaminoso. Não existe no mundo um poder ou autoridade habilitado a exigir vítimas. Deus Pai só exigiu uma, e Ele mesmo a forneceu. Quem quer que, depois disso, se sinta culpado, não deve se oferecer como vítima sacrificial perante altar nenhum. Deve apenas recordar-se do sacrifício de Cristo e alegrar-se. Isso é tudo.

Muitas pessoas até sabem que as coisas são assim, mas entendem isso somente do ponto de vista religioso formal, sem tirar desse conhecimento as conseqüências práticas de ordem psicológica, que são portentosas:

Aquele que se ofereceu para ser sacrificado em nosso lugar não é um cobrador de dívidas nem um acusador, mas um salvador. Ele nada pede, apenas oferece. E em troca aceita uma palavrinha, um sorriso, uma intenção inexpressa, qualquer coisa, pois não é irritadiço nem orgulhoso: é manso e humilde.

Se, sabendo disso, você ainda é vulnerável aos olhares acusadores e às palavras venenosas, se ainda sente ante os intrigantes e os maldosos um pouco de temor reverencial e tenta aplacá-los com mostras de submissão para que eles não o exponham à vergonha ou não o castiguem de algum outro modo, é porque ainda não compreendeu o sentido do Natal.

Esse sentido é simples e direto: os maus e intrigantes não têm mais nenhuma autoridade sobre você. Não baixe a cabeça perante eles, não consinta que suas fraquezas sejam exploradas pela malícia do mundo.

Jesus Cristo já pagou a sua dívida.

É por isso que comemoramos o Natal.


Olavo de Carvalho
25 de dezembro de 2003

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Curupiras

Leiam primeiro o post abaixo.

Alguns petistas parecem curupiras, têm os pés virados para trás, por isso andam ao contrário. Verdade para eles vira ódio. Destilar ódio para eles é acreditar no Deus de amor. Deus para eles vira "o que" e não "quem". Deus para eles é um objeto. Os outros são meninos ignorantes, eles que não sabem nem escrever, são sábios. Ofender de maneira anônima é coragem. Assinar um blog como eu e meu pai fazemos é covardia. Eu sou "do mau" (sic). Eles são do bem. Odeiam o que eu escrevo, mas pelo jeito sempre estão interessados em ler, apenas para me ofender em seguida. Isso é coisa de quem cultiva deus. Eu, que sei que o homem não pode cultivar deus nenhum, apenas sentimentos e plantas, peço a Deus que tenha misericórdia dessas pobres almas.

Análise de comentário hater

O blog agora deu pra receber comentários de odiadores, que eu normalmente excluo, mas às vezes dá vontade de fazer uma autopsia. Segue aí o corpo, em vermelho, e o relatório, em azul, como Reinaldo Azevedo gosta de fazer.


E quem conhece bem os eleitores de Serra, que agora ofedem Nordestinos, conhecem também a sua intolerância religiosa.
Os petistas agora se fartam na ideia de que os eleitores de Serra (pelo menos 20 a 30 porcento aqui no Nordeste) são anti-nordestinos. Quando os eleitores de Dilma chamaram os paulistas de bestas, nenhum desses paladinos da moral se prontificou a condenar. A eles, tudo, menos a lei. Aos inimigos, nada, nem a lei.


Pois para ser Presidênte da República, para uns (você e seu pai), teria que ser religioso fanático e homofóbico seguidor de gente doente como Silas Malafaia.
Não, caro petralha anônimo. Para mim e provavelmente meu pai concorda comigo, precisaria que nosso presidente da República simplesmente assumisse o que é de verdade, em vez de se fingir de católico para vencer as eleições. Olha a sua linguagem e o seu ódio aos religiosos. Dá até para pensar que você é daqueles ateus militantes, mas...


Eu não sou ateu! Acredito em Deus, mas no Deus do amor, não no mesmo Deus intolerante que você e seu pai cultiva. "O maior triunfo do Diabo é fazer com que ninguém acredite que ele exista", pra quem gosta de bons filmes. Thomas, você é tão "do mau" quanto o Diabo. Você não sabe o que é Deus. Porque não há amor em suas palavras. Você é doente e não percebe. Seu blog é um blog de ódio.
Mas aí você se defende e grita: Eu não sou ateu! Acredita no Deus do amor, e eu no Deus da intolerância. Não só eu, mas meu pai também. Você, que vem aqui no meu blog para me xingar, e a meu pai, crê no Deus do amor. Dá pra perceber que você está mesmo coberto de razão, anônimo. Só vejo amor nas suas palavras. O ódio está no meu blog, e Deus está contigo. Parabéns. Esse teu deus, que te manda aqui ao meu blog, como um anônimo covarde, para ofender a mim e a meu pai, eu realmente desconheço e com ele não quero contas. O meu Deus é o Deus da verdade, não o deus da mentira de Dilma e gente como você.


Prefiro um ateu presidente, afinal o Brasil nunca precisou de fanáticos evangélicos, no comando do Estado, GRAÇAS A DEUS! E graças a Deus isso nunca foi prerrogativa para o cargo, coisa que vocês agora inventaram. Que seja ateu, que seja católico, que seja evangélico, que seja de candomblé, que seja negro, que seja do povo, que seja gay, intelectual, o que for... todos estes podem ser presidente sem ter a sua crença atacada, menino ignorante! 
Na presidência eu prefiro quem diga a verdade. Se for ateu, diga que é ateu, como fez Fernando Henrique. Mentir para ganhar votos de eleitores foi o que sempre critiquei aqui no meu blog, anônimo. Acho que você precisa voltar ao curso de alfabetização, aprender a ler, e depois vir aqui escrever alguma coisa. A crítica sempre foi ao oportunismo mentiroso e eleitoreiro da Dilma. Ela não é cristã e se fingiu de cristã para vencer as eleições. Você não entendeu nada, mas eu sou o menino ignorante. Obrigado pelo comentário, me valeu umas boas risadas. Da próxima vez deixa o seu nome, para a gente saber de quem está rindo. Jumento.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Esqueceu de Deus

Do Blog Demais:



Quando surgiu a questão do aborto na campanha eleitoral do segundo turno, Dilma Rousseff passou a mentir sobre sua sua posição favorável. Ela passou então a falar em Deus, até a rezar, enganando católicos e evangélicos, encantados.
No seu discurso de vitória, a presidenta eleita agradeceu a todo mundo. Só que esqueceu de agradecer a Deus, que tanto usou e abusou.
Com a vitória, ela não precisava mais falar em Deus.

Comento:
Enganou muitos, a mim não. Quem conhece bem os petistas sabe qual é o "deus" que eles adoram.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Xis da questão

Eu realmente não tenho a menor vontade de discutir se a Igreja Católica é boa ou ruim, medieval, atrasada, se o Papa é apenas um político ou se o aborto é ou não assassinato. Isso tudo é infrutífero. O que eu defendo é que o PT e a Dilma assumam suas posições verdadeiras e parem de mentir para o eleitorado brasileiro. Quem concorda que se deve mentir até mesmo sobre fé e religião para ganhar as eleições, discorda de mim. Se o PT, a Dilma e o Lula são tão fodões como querem nos fazer acreditar, por que não disputam a eleição defendendo a verdadeira ideologia do partido? Por que não anunciam o que realmente acham da Igreja Católica, do Papa e do aborto? Podem defender a mesma posição que o PT em relação a esses temas, mas não dá pra defender o comportamento deles, de esconder o que realmente pensam para agradar o eleitorado.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Antiga oração dos pescadores bretões


No filme "Treze dias que abalaram o mundo", podemos ver esta plaqueta e sua inscrição, traduzindo significa "Oh Deus, vosso mar é tão grande e o meu barco é tão pequeno." O almirante Hyman Rickover costumava dar placas semelhantes aos novos capitães de submarino e deu uma ao presidente Kennedy, que gostava muito da frase e mantinha a plaqueta no salão oval. É um claro sinal de humildade perante a grandeza de Deus. Nada é pedido. Apenas uma constatação humilde, que impressiona pela simplicidade.

domingo, 19 de setembro de 2010

O famoso monólogo de Shakespeare interpretado por Al Pacino



Os judeus não têm olhos? Os judeus não têm mãos, órgãos, dimensões, sentidos, inclinações, paixões? Não ingerem os mesmos alimentos, não se ferem com as armas, não estão sujeitos às mesmas doenças, não se curam com os mesmos remédios, não se aquecem e refrescam com o mesmo verão e o mesmo inverno que aquecem e refrescam os cristãos? Se nos espetardes, não sangramos? Se nos fizerdes cócegas, não rimos? Se nos derdes veneno, não morremos? E se nos ofenderdes, não devemos vingar-nos? Se em tudo o mais somos iguais a vós, teremos de ser iguais também a esse respeito. Se um judeu ofende a um cristão, qual é a humildade deste? Vingança. Se um cristão ofender a um judeu, qual deve ser a paciência deste, de acordo com o exemplo do cristão? Ora, vingança. Hei de por em prática a maldade que me ensinastes, sendo de censurar se eu não fizer melhor do que a encomenda.

Tradução II

Esse texto pertence a Marcus Aurelius Antoninus Augustus, imperador romano do ano 161 a 180, que escreveu suas Meditações em grego. A tradução para o inglês é de Maxwell Staniforth em 1964. Em seguida eu ofereço a minha, do inglês para o português.

"Begin each day by telling yourself: Today I shall be meeting with interferences, ingratitude, insolence, disloyalty, ill-will, and selfishness -- all of them due to the offenders' ignorance of what is good or evil. But for my part I have long perceived the nature of good and its nobility, the nature of evil and its meanness, and also the nature of the culprit himself, who is my brother (not in the physical sense, but as a fellow-creature similarly endowed with reason and a share of the divine); therefore none of those things can injure me, for nobody can implicate me in what is degrading. Neither can I be angry with my brother or fall foul of him; for he and I were born to work together, like a man's two hands, feet, or eyelids, or like the upper and lower rows of his teeth. To obstruct each other is against Nature's law -- and what is irritation or aversion but a form of obstruction?"

Inicie cada dia dizendo a si mesmo: Hoje eu irei lidar com interferências, ingratidão, insolência, deslealdade, má vontade e egoísmo - tudo isso devido à ignorância do bem e do mal daqueles que praticam. Mas de minha parte eu já compreendi há muito tempo a natureza do que é bom e a sua nobreza, a natureza do que é mal e a sua iniquidade, e também a natureza do próprio agressor, que é meu irmão (não em sentido físico, mas como uma criatura-irmã igualmente dotada de razão e de uma parcela do sopro divino); logo nenhuma dessas coisas podem me ferir, porque ninguém pode me implicar naquilo que é degradante. Nem eu posso enfurecer-me com meu irmão ou magoar-me com ele; pois ele e eu nascemos para trabalhar juntos, como as duas mãos, ou os dois pés ou os dois olhos ou os dois maxilares de um homem. Obstruir-nos uns aos outros é contra a lei da natureza - e o que seria a irritação e a aversão senão uma forma de obstrução?

Tradução

Dostoiévski é um escritor russo, porém achei uma citação muito interessante em inglês:

"Sometimes God sends me moments in which I am utterly at peace; in such moments I have constructed for myself a creed in which everything is clear and holy for me. Here it is: to believe that there is nothing more beautiful, more profound, more sympathetic, more reasonable, more courageous, and more perfect than Christ; and not only is there nothing, but I tell myself with jealous love there never could be."

E a minha tradução e concordância:

Algumas vezes Deus me envia momentos nos quais eu estou absolutamente em paz; nesses momentos eu construi pra mim um credo no qual tudo é claro e sagrado. Aqui está ele: acreditar que não há nada mais belo, mais profundo, mais compreensivo, mais razoável, mais corajoso e mais perfeito que Cristo; e não apenas acredito que não há nada, mas eu digo a mim mesmo, com amor ciumento, que nunca poderia haver.