sábado, 14 de janeiro de 2012

O que não é conservadorismo: CPAC, Libertários e Ron Paul

ESCRITO POR DON FEDER | 17 MARÇO 2010

A esquerda crê que as pessoas são anjos corrompidos pelo capitalismo. O libertário crê que as pessoas são anjos corrompidos pelo Estado. O conservador crê que os seres humanos são imperfeitos - daí, são corruptíveis.

Não vou tratar do espetáculo de aberrações libertárias que a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) se tornou. ("Olha a senhora barbuda promovendo gays nas forças armadas e conduzindo a guerra contra o terrorismo do jeito que os franceses lutaram na 2ª Guerra Mundial.")Minha intenção não é condenar o parlamentar Ron Paul - que representa para o debate político sério o que uma comédia de televisão representa para uma pesquisa filosófica.

Não vou também abordar as tentativas de Grover Norquist de tornar o movimento conservador amistoso para com a guerra santa dos islâmicos. Norquist - que é membro da diretoria da União Conservadora Americana, a organização que criou a CPAC - é padrinho do Instituto de Mercado Livre Islâmico, que no passado era um dos patrocinadores da CPAC. (Será que eles cortam nossos impostos antes ou depois de cortar nossa cabeça?)

Meu propósito é usar esses exemplos para mostrar a ignorância e a ilusão generalizada com relação a uma palavra - e é uma palavra cuja compreensão correta é essencial para a sobrevivência dos EUA - conservador.

Só o conservadorismo poderá fazer com que os EUA recuem do abismo iminente: o pesadelo do socialismo, do entreguismo, do multiculturalismo, da ciência fraudulenta e da sodomia como liberdade civil - sodomia na qual o atual presidente dos EUA está determinado a nos atirar.

Mas as imitações de conservadores que entram na batalha armados com as teorias da esquerda não conseguirão conservar nada. A CPAC de 2010 mostra a desesperança do conservadorismo de lanchonete (pegue um pouco disso e um pouco daquilo e deixe de fora o que você não quer).



GOProud, um grupo de republicanos homossexuais, se orgulhou de ser um dos patrocinadores da CPAC neste ano. Como é que um conservadorismo baseado na lei natural pode acolher atos antinaturais em seu meio?



GOProud é prova viva de quantos jovens "conservadores" se deixarão seduzir por qualquer coisa que venha embrulhada no slogan da liberdade. Mas a liberdade não é um valor absoluto. (Aqueles que não conseguem imaginar nenhum valor mais elevado estão com sérios problemas de falta de imaginação.) Deixando isso de lado, os ativistas da liberação homossexual buscam poder sobre o resto de nós.

A essência da agenda gay é a participação forçada, ridicularizando a soberania popular.

Só dá para se concretizar a tentativa de desconstruir o casamento por meio de juízes ideológicos. Atualmente, 41 estados definem o casamento como a união de um homem e uma mulher - a maioria dessas leis foi decidida pelo voto do povo. O tão chamado casamento gay é uma tentativa da elite de alterar de forma radical uma instituição que é fundamento da sociedade e ao mesmo tempo ignorar os desejos expressos de maiorias esmagadoras.

A essência dos direitos gays é doutrinar nossos filhos em condutas que fariam um médico especialista em doenças do ânus ficar engasgado. Sua essência é criminalizar opiniões divergentes por meio de leis de crimes de ódio e leis limitando o que pode e não poder ser dito. É uma agressão frontal à liberdade de expressão e à liberdade religiosa. É liberdade só no sentido de que matar bebês em gestação é direito de escolher.

Por falar em atos antinaturais, Ron Paul venceu a eleição presidencial informal da CPAC, com 31% dos votos. Sem dúvida, só um quarto dos estimados 10.000 participantes votaram. Contudo, Paul foi o favorito indiscutível daqueles que se importaram o bastante para votar. Seus lacaios - lésbicas e prostitutas nazistas sequestradas por alienígenas e forçadas a falar sobre abolir o governo federal - estavam em toda parte.

Ron (que é conhecido por dizer que quem provocou o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 foram os próprios Estados Unidos) - agora há um modelo para os conservadores jovens imitarem. O parlamentar de uma remotíssima galáxia crê que a legalização da heroína, cocaína e prostituição é coerente com os princípios da fundação dos EUA, conforme ele explicou numa entrevista para John Stossel da TV ABC.

Paul, que é uma espécie de Jeremiah Wright com deficiência de melanina, crê que o ataque ao World Trade Center foi uma consequência negativa das políticas americanas no Oriente Médio. Como é que ousamos negar aos islâmicos sua rica herança - matar infiéis, escravizar mulheres e propagar sua religião por meio da espada?

Paul também crê que Israel criou o Hamas, e que a Guerra Fria foi um conflito desnecessário alimentado pela paranóia. Falta-lhe ainda dizer se foi Winston Churchill quem inventou a blitzkrieg.

Fico aqui imaginando o que foi que os EUA fizeram para incitar os muçulmanos a conquistar Constantinopla em 1453, a ocupar a Grécia e os Bálcãs, a subjugar a Espanha por quase 500 anos, a perseguir cristãos coptas e outras minorias religiosas e a promover massacres de judeus que varreram a Palestina nas décadas de 1920 e 1930. Mas tenho certeza de que Paul conseguiria nos dar um resumo.

Desde seu início no sétimo século, o islamismo tem sido a versão árabe das máfias de assassinos profissionais - mas sempre há os infiéis úteis prontos para jogar sobre os EUA a culpa de todos os atos islâmicos de livre expressão.

A conferência da CPAC incluiu também vozes de criaturas humanas que não padeciam de apatia e paralisia cerebral. Marco Rubio, candidato ao Senado da Flórida, observou de forma convincente: "Permitam-me ser claro acerca de algo. Esses terroristas não estão tentando nos matar porque os ofendemos. Eles nos atacam porque querem impor sua visão do mundo em tantas pessoas quantas puderem, e os EUA estão no caminho deles". Os americanos que estão no caminho deles se chamam conservadores.

Então, o que é um conservador? Você não achará a resposta na conferência da CPAC de 2010, que teve uma reunião intitulada "Mentiram para você: Por que os conservadores genuínos são contra a guerra contra o terrorismo". (Isso faria de Michael Moore, George Soros e Cindy Sheehan conservadores genuínos.) Outro debate de grande "interesse" foi anunciado como - "A segurança (como na segurança nacional) leva a melhor sobre a liberdade?" (Mas como é que dá para se ter liberdade sem segurança?) - e apresentou Bob Barr, ex-parlamentar e atual simpatizante da organização esquerdista ACLU.

Vamos começar explicando o que não é um conservador:

* Um conservador não é um libertário. Um conservador valoriza a liberdade (liberdade individual); um libertário presta culto a ela como se fosse uma divindade. O único valor político que o libertário reconhece é a liberdade. O libertário é o utopista da direita. A utopia da esquerda é um governo que inclui tudo. A utopia do libertário é um governo que não existe - ou quase isso. A esquerda crê que as pessoas são anjos corrompidos pelo capitalismo. O libertário crê que as pessoas são anjos corrompidos pelo Estado. O conservador crê que os seres humanos são imperfeitos - daí, são corruptíveis.

* Um conservador não é um embriagado de direitos. Ele crê em direitos sob o equilíbrio de responsabilidades. Ele sabe que o conceito de direitos sofre muitos abusos - por exemplo, o direito de uma mulher matar seu bebê em gestação, o direito de homossexuais servirem assumidamente nas forças armadas. Quando foi que o serviço militar se tornou um direito, em vez de um dever? Um cidadão idoso tem o direito de se alistar nos fuzileiros navais?

* Os conservadores e esquerdistas crêem em direitos, mas aplicam esse conceito de forma diferente. Os conservadores querem que você tenha o direito de criar e educar seus filhos, cuidar de seu negócio, expressar suas opiniões e dispor da maior parte de sua renda. A esquerda quer lhe dar o direito de cometer suicídio, usar drogas (o que na essência é a mesma coisa) e pegar uma doença de uma prostituta. Os direitos defendidos pelos conservadores apelam de forma absoluta para a maior parte da população. Os valores defendidos pelos esquerdistas apelam de modo geral para os viciados, os Tiger Woods e aqueles que estão em busca de uma escapatória da própria existência.

* Um conservador não é reflexivamente anti-governo - ele não odeia o governo. Um conservador crê que o governo é necessário. Limitado às suas devidas funções, o governo não é um mal necessário, mas um bem inegável. Quem dirá que foi errado o governo federal lutar para libertar os escravos - ou que foi errado os EUA destruírem a Alemanha nazista e acabarem com o Holocausto? Somente quando ultrapassa suas devidas funções, o governo se torna aquilo que foi criado para coibir - assassinato, roubo e outras formas de agressão.

* No entanto, um conservador é cético com relação ao governo em sua formação atual. Quando uma república se torna um regime - quando confisca 40% dos ganhos da nação, quando regulamenta os empreendimentos comerciais ao mínimo detalhe, quando estatiza indústrias inteiras com a desculpa de salvá-las, quando aleija a produtividade para deter um mito (aquecimento global), quando hipoteca o futuro para comprar votos no presente, quando a redistribuição de riquezas substitui os valores originais dos EUA?

* Um conservador não diz: "Sou conservador nas questões econômicas, mas nas questões sociais sou moderado". Um conservador aplica princípios fundamentais de forma coerente. Ele entende que um político que não quer defender os bebês em gestação, o casamento ou a família acabará traindo o livre mercado e o governo limitado também - daí, esse é o motivo por que o senador Arlen Specter abandonou o Partido Republicano e passou para o Partido Democrata.

* Um conservador não presta culto aos indicadores da Bolsa de Valores. Ele compreende que a liberdade e o livre mercado dependem de um alicerce moral - que não dá para se sustentar uma economia saudável sem famílias saudáveis.

* Um conservador não é nem isolacionista nem intervencionista. Ele não anseia aventuras militares nem evita ações militares limitadas hoje para prevenir uma guerra de escala total no futuro. Um conservador crê no uso de força militar quando necessário, em busca dos justos interesses nacionais dos EUA.

* Um conservador não é John McCain, que traiu a direita regularmente durante 20 anos para ganhar os aplausos da grande imprensa, que o honrava com o elogio de "político independente". Outros que também não são conservadores são Pat Buchanan (que acha que o Terceiro Reich foi mal entendido), Ron Paul, Newt Gingrich (que crê que um conservador tem de ter fé cega e aprovar automaticamente toda besteira que o Partido Republicano oferece para cargos públicos), o falecido William F. Buckley Jr. (que se escondeu atrás de um labirinto de afirmações a fim de evitar assumir posições que pudessem indispô-lo com seus amigos da elite) e David Brooks (o conservador criado na estufa do jornal esquerdista The New York Times) cujas colunas sobre Obama durante a campanha de 2008 pareciam anotações de flerte de uma fã na época do cio.

Ao explicar o autêntico conservadorismo, minha experiência é de certa forma mais ampla e profunda do que da maioria dos apresentadores de programas de entrevistas ou palestrantes da CPAC.

Uni-me a um grupo de estudantes que faziam campanha eleitoral para o candidato presidencial Goldwater em 1963. Fui líder da organização Jovens Americanos pela Liberdade quando era a única oposição eficaz contra a Nova Esquerda, um movimento político radical ativo nas universidades. De 1966 a 1972, lutei contra infames selvagens na Universidade de Boston.

De 1976 a 1979, fui o primeiro diretor executivo da organização Cidadãos em favor de Impostos Limitados, a filial em Massachusetts do movimento nacional de revolta contra os impostos. Fui diretor executivo da Fundação da Segunda Emenda por dois anos, e colunista do jornal Boston Herald por quase duas décadas (1983-2002). Estou atualmente lutando a guerra em muitas frentes, inclusive como escritor independente e diretor de comunicações do Congresso Mundial de Famílias.

Contudo, só comecei a compreender o conservadorismo depois de ler os livros "The Conservative Mind" (A Mente Conservadora), de Russell Kirk, e "Witness" (A Testemunha), de Whittaker Chambers, no final da década de 1970. Conforme explicou Kirk, diferente do liberalismo (que se transformou em esquerdismo), o conservadorismo não é um dogma, mas uma filosofia prática baseada num conjunto de princípios.

* Um conservador defende o governo constitucional. Ao interpretar a Constituição, ele crê na intenção original dos fundadores dos EUA, e abomina juízes que usam a Constituição como desculpa para remodelar a sociedade. O conservador crê que a Constituição dos EUA é o melhor método já idealizado para governar um povo livre. Ele também compreende que o espírito da Constituição tem como base a grandeza da civilização ocidental - que a Constituição é baseada nas experiências políticas da humanidade durante mais de dois milênios, começando de Jerusalém e passando por Atenas, Roma e Londres. Essas são as lições que a História pede que aprendamos.

* Um conservador sabe que a civilização ocidental tem como fundamento a fé. Tentar divorciar o conservadorismo da Bíblia é como tentar respirar sem ar.

* Um conservador compreende que cada geração não confronta um mundo criado de novo, mas em vez disso o mesmo velho mundo vestido nos modismos da hora. Excetuando os progressos tecnológicos e a rotação da sociedade de uma moda à outra, o mundo não muda, pois a humanidade não muda. A sabedoria de nossos ancestrais é o melhor guia para os que estão confusos.

* Um conservador celebra os EUA - sua história, herança e heróis. Ele é um patriota, não um nacionalista. Nacionalismo é lealdade cega que muitas vezes acaba em extremismo. O patriotismo é uma opinião consciente. Para os americanos, é reconhecer nossa grandeza nacional - que durante os 234 anos passados, os EUA têm sido um refúgio para seu povo e uma bênção para a humanidade.

* Um conservador defende nossa soberania, nossa língua e nossa cultura. Isso faz dele um defensor da segurança nas fronteiras e da língua inglesa, e um oponente do multiculturalismo, bilingüismo e políticas de identidade.

* O conservadorismo tem três colunas de sustentação - fé, família e liberdade. Tire qualquer uma e a estrutura se desmorona. A fé legitima a família ao baseá-la na eternidade. A família ensina as lições morais que possibilitam uma sociedade livre. Combinada com integridade moral, a liberdade cria o clima em que a fé e a família poderão florescer.

* O conservador não é um escapista, que evita enfrentar a situações desconfortáveis ou difíceis. Ele entende que há forças poderosas atuando no mundo - forças que desprezam o modo de vida americano e querem destruí-lo. Entre as maiores glórias dos EUA está que os EUA confrontaram e venceram tais ameaças duas vezes no século XX - ao vencerem o nazismo na 2ª Guerra Mundial e o comunismo na Guerra Fria. Agora, a ameaça é um islamismo expansionista cujas armas são o terrorismo e a subversão. O conservador entende que manter os EUA livres exige vigilância e sacrifício.

* Um conservador crê que a cultura é importante - que os meios de comunicação (notícia e entretenimento) e a educação informam as percepções, principalmente dos jovens. Quem controla a cultura controla o futuro. A grande tragédia dos séculos XX e XXI é que, embora a direita tenha ganhado vitórias políticas, a esquerda ganhou vitórias culturais que raramente dá para se reverter - se é que isso é possível.

* Um conservador crê na sociedade moralmente integra tanto quanto na sociedade livre - que sem integridade moral, os EUA não conseguirão permanecer firmes. Os fundadores dos EUA criam que as pessoas que são escravas de suas paixões carnais não demorarão em se tornar escravas dos outros.

* Um conservador despreza a veneração à igualdade, que sustenta que tudo é tão bom quanto tudo o mais (com a exceção dos brancos do sexo masculino) - que nenhum código moral, estilo de vida, sistema econômico ou político ou religião é melhor do que qualquer outra. Dá para se ver a estupidez dessa doutrina quando apresentamos as seguintes perguntas aos seus adeptos: Onde é que você preferiria passar os próximos cinco anos de sua vida - num arranha-céu de Manhattan, numa aldeia de Ruanda, num barraco em Gaza ou num campo de trabalhos forçados na Coreia do Norte? Quem você gostaria de ter como vizinho: um judeu religioso, um católico tradicional, um evangélico conservador, um satanista ou um muçulmano xiita?

* Um conservador confronta a realidade. Ele vê o mundo não como ele deseja que fosse, mas como é. Isso o diferencia do liberal/esquerdista e do libertário. A esquerda confronta a realidade do jeito que Neville Chamberlain confrontou Hitler em Munique, do jeito que Jimmy Carter confrontou o imperialismo soviético durante sua presidência lamentável e do jeito que Barack Obama confronta o desemprego elevado e os mega-déficits. Os escapistas agem como o avestruz: pegam a cabeça e enfiam na areia.

Com a exceção de algumas palestras magníficas de gente como Ann Coulter, Jim DeMint e Glenn Beck, a realidade não foi bem vinda na Conferência de Ação Política Conservadora de 2010. Anualmente, aumenta o número de pessoas que vão à conferência da CPAC, a União Conservadora Americana se beneficia do lucrativo negócio e o significado de tudo vai se perdendo cada vez mais. Não seria tão ruim se mudassem o nome para Conferência de Ação Libertária, Isolacionista, Islâmica e Homoerótica e Dia de Agradecimento ao Ativista Homossexual Harvey Milk.


Don Feder era colunista do jornal Boston Herald e agora é consultor na área de política e comunicação. Ele também mantém seu próprio site: www.donfeder.com

Traduzido e adaptado por Julio Severo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mais uma jabuticaba

Está em curso a instauração de uma nova modalidade de CPI. A CPI pra vender livros. Mais uma daquelas coisas que só dá no Brasil. Se não é jabuticaba, só pode ser besteira.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Coração Louco



Música do filme "Coração Louco", de 2009, com Jeff Bridges. Segue letra e minha tradução:

Fallin' and Flyin'

I was goin’ where I shouldn’t go
seein’ who I shouldn’t see
doin’ what I shouldn’t do
and bein’ who I shouldn’t be

a little voice told me it’s all wrong
another voice told me it’s alright
I used to think that I was strong
but lately I just lost the fight

funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while
funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while

I got tired of bein’ good
started missing that old feeling free
stop actin’ like I thought I should
and went on back to bein’ me

I never meant to hurt no one
I just had to have my way
if there is such a thing as too much fun
this must be the price you pay

funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while
funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while

you never see it comin’ till it’s gone
it all happens for a reason
even when it’s wrong
especially when it’s wrong

funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while
funny how fallin’ feels like flyin’
for a little while

I was goin’ where I shouldn’t go
seein’ who I shouldn’t see
doin’ what I shouldn’t do
and bein’ who I shouldn’t be

***

Caindo e Voando

Eu estava indo aonde não deveria ir
Vendo quem eu não deveria ver
Fazendo o que eu não deveria fazer
E sendo quem eu não deveria ser

Uma vozinha me contou que estava tudo errado
Outra voz me disse que estava tudo certo
Eu costumava pensar que eu era forte
Mas ultimamente eu simplesmente perdi a luta

Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante
Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante

Eu cansei de ser bonzinho
E comecei a sentir falta da velha liberdade
Parei de agir como eu pensei que deveria
E voltei a ser eu mesmo

Nunca tive intenção de machucar ninguém
Simplesmente tive que seguir o meu caminho
Se há algo como excesso de diversão
Este deve ser o preço que se paga

Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante
Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante

Você nunca vê chegar até que já se acabou
Tudo acontece por uma razão
Mesmo quando é errado
Especialmente quando é errado

Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante
Engraçado como cair se confunde com voar
Por um instante

Eu estava indo aonde não deveria ir
Vendo quem eu não deveria ver
Fazendo o que eu não deveria fazer
E sendo quem eu não deveria ser

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Marcador de combustível

A maioria das pessoas não vê nenhum mistério no funcionamento do marcador de combustível do automóvel. Quando o ponteiro está apontado para a posição cheio, o tanque está cheio. Quando está marcando a posição vazio, o tanque está vazio. Simples, não? Nem tanto. Você já deve ter notado que nos primeiros 40 ou 50 quilômetros, o ponteiro praticamente não se mexe, ao passo que quando você está nas últimas gotas de combustível, o ponteiro cola no vazio e te deixa se borrando de medo de uma pane seca, apesar de que, quando você completa o tanque, descobre que ainda tinha pelo menos um ou dois litros. A grande razão desse fenômeno é a bóia que mede o nível de combustível. Ela é muito parecida com a bóia de um reservatório de água ou de uma descarga de privada. Uma haste fina com uma peça de plástico na ponta, mais grossa que a haste. Por ser mais grossa que a haste, a peça de plástico vai ficar completamente submersa quando o tanque estive cheio, e continuará a boiar no nível máximo após consumir alguns litros, não gerando nenhuma alteração no ponteiro do marcador de combustível, como podemos ver na imagem.

Pela razão oposta, o ponteiro também não vê muita diferença entre quase vazio e completamente vazio:

sábado, 26 de novembro de 2011

Esquete chato

Sobre DVDs e blu-ray, tenho muita raiva quando vou assistir a um filme que comprei e antes tem aqueles esquetes idiotas falando sobre como a pirataria ajuda o crime organizado etc etc. No BD e no DVD pirata nem deve ter aquilo, porque os piratas devem cortar do filme, ou mesmo filmam no cinema e depois gravam. Seria igualmente chato, mas pelo menos lógico, se os esquetes me agradecessem por ter adquirido uma cópia legítima do filme. Minha coleção é razoável, contando com mais de 400 DVDs e mais de 50 blu-ray discs. E realmente fico indignado toda vez que vejo meus filmes praticamente me acusando de comprar filmes piratas, coisa que nunca fiz.

Nilo Peçanha

Em 1909, cem anos antes de Barack Obama assumir a presidência, o Brasil já tinha seu presidente com ascendência africana, Nilo Peçanha. Em vez de ensinar isso nas escolas, querem despertar um suposto "orgulho" (melhor seria despertar dignidade) negro, fazendo a criança tocar tambor e bater lata.
Zumbi, que no seu quilombo virou senhor de escravos também negros, hoje é idolatrado como símbolo da consciência negra e da luta contra o racismo, o que é uma piada. Nilo Peçanha, mestiço, foi presidente da república na primeira década do século XX, é esquecido. Como eu disse antes, os mestiços não existem mais no Brasil. Foram exterminados pelo movimento politicamente correto e de consciência negra, que aparenta querer suprimir tudo que não se enquadre no ideal deles.

sábado, 19 de novembro de 2011

Igualdade racial?

Queria saber o que aconteceu com os mestiços brasileiros. Agora só temos negros e brancos. Exterminaram os mestiços? Não entendo isso. Se um mestiço diz que é mestiço hoje é logo repreendido, acusado de ter vergonha de ser negro, como se estivesse mentindo sobre ser fruto de uma mistura de europeus e negros. Por que ele tem que renegar sua ascendência branca em prol da ascendência negra? Por que não se pode mais admitir as duas ascendências juntas, algo que é muito comum no Brasil? Essas ações afirmativas são fruto de um movimento político que na verdade incentiva o ódio, o racismo, a segregação. Ou seja, tudo o que jura de pés juntos combater.
O fim do preconceito passa pelo fim das distinções raciais, e não pela exacerbação de orgulhos e diferenças. Não passa pela mentira de que não há mestiços, apenas negros e brancos, e sim pela possibilidade de se cultivar as ascendências verdadeiras, não aquelas inventadas pelo politicamente correto, sem olhares de reprovação, pois todas têm seus méritos. O fim do preconceito não passa pelas muletas e pelas cotas, isso é enganação. Passa pelo respeito à Constituição e pela melhoria real do ensino básico, para dar igualdade de condições a todos desde o início, e não apenas no funil do vestibular.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Blog de Mírian Macedo: A verdade: eu menti.

Blog de Mírian Macedo: A verdade: eu menti.

Eu, de minha parte, vou dar uma contribuição à Comissão da Verdade, e contar tudo: eu era uma subversivazinha medíocre e, tão logo fui aliciada, já 'caí' (jargão entre militantes para quem foi preso), com as mãos cheias de material comprometedor.

Despreparada e 'festiva', eu não tivera nem o cuidado de esconder os jornais da organização clandestina a que eu pertencia, eles estavam no meio dos livros numa estante, daquelas improvisadas, de tijolos e tábuas, que existia em todas as repúblicas de estudantes, em Brasília naquele ano de 1973.
Já relatei o que eu fazia como militante http://bit.ly/vNUwyb. Quase nada. A minha verdadeira ação revolucionária foi outra, esta sim, competente, profícua, sistemática: MENTI DESCARADAMENTE DURANTE 30 ANOS!
Repeti e escrevi a mentira de que eu tinha tomado choques elétricos (por pudor, limitei-me a dizer que foram poucos, é verdade), que me interrogaram com luzes fortes, que me ameaçaram de estupro quando voltava à noite dos interrogatórios no DOI-CODI para o PIC (eu ouvia conversas maliciosas e tolas dos agentes) e que eu ficavam ouvindo "gritos assombrosos" de outros presos sendo torturados (aconteceu uma única vez, por um curto período de tempo: ouvi gritos e alguém me disse que era minha irmã sendo torturada. Os gritos cessaram - achei, depois, que fosse gravação - e minha irmã, que também tinha sido presa, não teve um único fio de cabelo tocado).

Eu também menti dizendo que meus 'algozes', diversas vezes, se divertiam jogando-me escada abaixo, e, quando eu achava que ia rolar pelos degraus, alguém me amparava (inventei um 'trauma de escadas", imagina). A verdade: certa vez, ao descer as escadas até a garagem no subsolo do Ministério do Exército, na Esplanada dos Ministérios, onde éramos interrogados, alguém me desequilibrou e outro me segurou, antes que eu caísse.

Quanto aos socos e empurrões de que eu fui alvo durante os dias de prisão, não houve violência que chegasse a machucar; nada mais que um gesto irritado de qualquer dos 'inquisidores'; afinal, eu os levava à loucura, com meu 'enrolation'. Sou rápida no raciocínio, sei manipular as palavras, domino a arte de florear o discurso. Um deles repetia sempre: "Você é muito inteligente. Já contou o pré-primário. Agora, senta e escreve o resto".
Quem, durante todos estes anos, tenha me ouvido relatar aqueles dias em que estive presa, tinha o dever de carimbar a minha testa com a marca de "vítima da repressão". A impressão, pelo relato, é de que aquilo deve ter sido um calvário tão doloroso que valeria uma nota preta hoje, os beneficiados com as indenizações da Comissão da Anistia sabem do que eu estou falando. Havia, sim, muita ameaça, muito grito, interrogatórios intermináveis e, principalmente, muito medo (meu, claro).
Ma va! Torturada?! Eu?! As palmadas que dei na bunda de meus filhos podem ser consideradas 'tortura inumana' se comparadas ao que (não) sofri nas mãos dos agentes do DOI-CODI.
Que teve gente que padeceu, é claro que teve. Mas alguém acha que todos nós que saíamos da cadeia contando que tínhamos sido 'barbaramente torturados' falávamos a verdade?
Não, não é verdade. Noventa e nove por cento das 'barbaridades e torturas' eram pura mentira! Por Deus, nós sabemos disto! Ninguém apresentava a marca de um beliscão no corpo. Éramos 'barbaramente torturados' e ninguém tinha uma única mancha roxa para mostrar! Sei, técnica de torturadores. Não, técnica de 'torturado', ou seja, mentira. Mário Lago, comunista até a morte, ensinava: "quando sair da cadeia, diga que foi torturado. Sempre."

A pior coisa que podia nos acontecer naqueles "anos de chumbo" era não ser preso. Como assim todo mundo ia preso e nós não? Ser preso dava currículo, demonstrava que éramos da pesada, revolucionários perigosos, ameaça ao regime, comunistas de verdade! Sair dizendo que tínhamos apanhado, então! Mártires, heróis, cabras bons.

Vaidade e mau-caratismo puros, só isto. Nós saíamos com a aura de hérois e a ditadura com a marca da violência e arbítrio. Era mentira? Era, mas, para um revolucionário comunista, a verdade é um conceito burguês, Lênin já tinha nos ensinado o que fazer.

E o que era melhor: dizer que tínhamos sido torturados escondia as patifarias e 'amarelões' que nos acometiam quando ficávamos cara a cara com os "ômi". Com esta raia miúda que nós éramos, não precisava bater. Era só ameaçar, a gente abria o bico rapidinho.
Quando um dia, durante um interrogatório, perguntaram-me se eu queria conhecer a 'marieta', pensei que fosse uma torturadora braba. Mas era choque elétrico (parece que 'marieta' era uma corruptela de 'maritaca' (nome que se dava à maquininha que rodava e dava choque elétrico). Eu não a quis conhecer. Abri o bico, de novo.
Relembrar estes fatos está sendo frutífero. Criei coragem e comecei a ler um livro que tenho desde 2009 (é mais um que eu ainda não tinha lido): "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça", escrito pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra. Editora Ser, publicado em 2007. Serão quase 600 páginas de 'verdade sufocada"? Vou conferir.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Criada a Associação Feirense dos Torcedores do Botafogo

Foi criada na tarde desta terça-feira, 15, a Associação Feirense dos Torcedores do Botafogo, entidade que pretende organizar a torcida do Alvinegro em Feira de Santana. O evento se deu durante confraternização de dezenas de torcedores - todos com camisas do "Glorioso " - do time carioca, que contou com feijoada, no Paraíso da Carne de Sol, na avenida Maria Quitéria. A primeira diretoria da Associação foi eleita por aclamação. Prsidente de honra: Jonathas Telles de Carvalho, 96 anos (torcedor desde 1930), que emocionou a todos com sua mensagem dada. Presidente: José Boa Sorte Farias, vice-presidente: Raul Silva Sampaio, secretário: Dimas Boaventura de Oliveira, tesoureiro: Jossé Freire de Freitas, e relações públicas: Humberto Cedraz Filho. Presentes, outros torcedores alvinegros como vereador Alcione Cedraz, secretário Carlos Brito, jornalista Humberto Cedraz, radialista Jair Cezarinho, bancário Thomas Rabelo de Oliveira, publicitário Vivaldo Lima, entre outros.

Fonte: Blog Demais

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Curso de Filosofia

Fiz a minha matrícula e já estou assistindo às aulas do Curso Online de Filosofia de Olavo de Carvalho e indico a todos. O curso tem duração de 5 anos e as mensalidades custam em torno de 50 reais.

sábado, 29 de outubro de 2011

Muamar Kadafi

Publicado originalmente em 26/02/2011


Muamar Kadafi tomou o poder na Líbia em 1969, com apenas 27 anos de idade. O seu primeiro ato como governante da Líbia foi expulsar todos os italianos do país, demonstrando o seu apreço pela Itália. Ele entregou o posto de Primeiro Ministro três anos depois, em 1972, e passou a se chamar "Líder e Guia Irmão da Revolução" e "Guia da Grande Revolução de Primeiro de Setembro da Grande Jamahiriya Árabe Líbia Popular e Socialista", provavelmente considerando que uma plaqueta dessas no seu gabinete cairia melhor que a de Primeiro Ministro.
Placa mostrando a frase "Grande Jamahiriya Árabe
Líbia Popular e Socialista" em Praga.

Jamahiriya vem a ser um neologismo árabe para república das massas. Kadafi começou a se vestir de maneira absurda, além de usar maquiagem exagerada. Ao mesmo tempo ele ordenou que o seu esquadrão de guarda-costas fosse composto por mulheres virgens. Em 2010 ele visitou a Itália e deu uma palestra exclusiva para mulheres, todas pagas para assistir. Nessa palestra ele declarou que toda a Europa deveria se converter ao Islã, e também que a União Européia deveria pagar 5 bilhões de euros por ano para dar fim à imigração ilegal de líbios para o velho mundo.

Guarda-costas virgens e roupas extravagantes,
combinação perfeita para impor respeito no mundo dos ditadores insanos.

Num discurso de duas horas feito na ONU, durante o qual inúmeras delegações se retiraram em protesto, Kadafi declarou apoio aos piratas somali, chamou Barak Obama de "meu filho", afirmou que Israel era responsável pelo assassinato de JFK e em seguida reclamou aos líderes mundiais reunidos para ouvi-lo que estava cansado e sofrendo de jet lag por causa da viagem de avião. 


Deixaram ele falar, agora aguentem.

Até o momento, Kadafi ainda está no poder e anuncia que lutará até a última gota de sangue para não sair dele. Considera que é muito importante para a Líbia continuar sendo governada por um dos donos da Juventus de Turim (comprou uma parte do clube apenas para que um de seus filhos pudesse ter a chance de jogar lá), e também o cara que fez uma petição à ONU para que dissolvesse a Suíça e dividisse o território entre Alemanha, França e Itália. Provavelmente ele vai banir os suíços do país.


Update: Kadafi foi executado sumariamente em 20 de outubro de 2011, em Sirte. Como muitas das vítimas do seu regime, não lhe foi concedido um julgamento justo e civilizado.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Schumacher



Não sei porque Michael Schumacher não é um ídolo das esquerdas. O pai era um humilde pedreiro, montou o kart dele com peças usadas. Depois, para apoiar a carreira do filho, arranjou uma segunda atividade, como mecânico de karts, e também passou a alugar os karts que montava. Sua mãe passou a trabalhar na cantina da pista, tudo para que o filho pudesse correr. Um belo dia Schumacher precisou de 800 marcos para comprar um motor novo, e infelizmente teria que abandonar as pistas, pois apesar de todo o esforço, seus pais não conseguiriam arcar. Empresários locais ajudaram e ele conseguiu continuar a correr.
Ah, já sei porque Michael não é um ídolo das esquerdas. Não basta ter origem humilde, precisa também de uma história de coitadismo, e não todo esse empreendedorismo e criatividade exibida por seu pai. Isso é coisa dos capitalistas.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Is this the guy?

Obama se encontrou com Lula em 2009 e disse, a la Denzel Washington interpretando o policial corrupto Alonso em Dia de Treinamento: My man!
A mídia nacional, incauta e puxa-saco traduziu que Obama teria dito que Lula é o cara. Santa ignorância. My man é completamente diferente de The man. My man não vai além de meu parceiro, meu companheiro, numa tradução livre. The man, esse sim, poderia ser traduzido como "o cara", na língua nacional. Mas a mídia brasileira, que o PT tanto se esforça para chamar de golpista, é na verdade babona e puxa-saco, além de não admitir equívocos jamais. Hoje, para completar, li uma postagem de alguém dizendo que Obama teria dito: "This is the guy!", ou seja, já reverteram o erro para o lado de lá. Lost in translation. Qua qua qua!

Teclado QWERTY, por que continuar?

O modelo de teclado QWERTY foi inventado há 130 anos e é completamente ineficiente. Só continuamos com ele por hábito. Tudo avançou no mundo da informática, menos esse modelo. O fato é que esse modelo de teclado foi concebido unicamente para impedir que as teclas próximas das antigas máquinas de escrever enganchassem menos umas nas outras, ao fazer com que as pessoas digitassem mais devagar. Dessa forma procurou-se colocar as teclas mais usadas de maneira separada. As primeiras máquinas tinham o teclado em ordem alfabética, o que apresentou vários problemas de "engarrafamento" nas teclas e o novo teclado foi criado especificamente para diminuir a velocidade. É completamente desnecessário já que aposentamos as máquinas de escrever há anos. Para se ter uma ideia, milhares de palavras da língua inglesa podem ser escritas usando apenas as teclas da mão esquerda, enquanto apenas umas poucas centenas de palavras poderiam ser escritas do lado direito, que costuma ser predominante.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Antiamericanismo: o recalque do oprimido*

A invasão do Iraque evidenciou que o antiamericanismo pulsa no mundo como um recalque do oprimido. À menor possibilidade, aflora, exacerba-se, ganha as ruas, os sites, a mídia. A “velha Europa”, na expressão de Donald Rumsfeld (a terceira das Parcas), limpa o sangue derramado nos últimos dois séculos para entoar uma cantilena que faz a mímica do pacifismo. As ditaduras muçulmanas ameaçam alçar Samuel Huntington ao panteão de segundo profeta e acenam para o Ocidente com um choque de civilizações. No Brasil, até a CUT esconde sua vergonhosa e pusilânime subserviência ao governo Lula com um grito de guerra: “Imperialistas, fora do Iraque! Não se troca sangue por petróleo”.

Tais reações têm um pretexto bastante verossímil: cada um dos motivos alegados por George W. Bush para empreender a sua expedição punitiva a Bagdá foi desmoralizado pelos fatos. Restou a obviedade de que Saddam Hussein era um ditador. Ok, mas, como ele, quantos há? E a grande maioria formada por aliados de Washington. É preciso, para que se possa avançar, fazer a distinção entre a razão prática dos Estados e governos e a voz rouca das ruas, eventualmente irmanadas no mesmo antiamericanismo.

A Jacques Chirac, por exemplo, pouco importa a moralidade do ato americano — e a melhor prova é a lei de imigração que ele defende para a França. Não é um humanista; quer-se estrategista. Seu interesse objetivo é organizar um pólo europeu de resistência a uma bipolaridade que os estudiosos americanos já dão como certa. Em trinta anos, restará um adversário dos Estados Unidos no planeta: a China, que cresce a uma taxa entre 7% e 9% ao ano e poderá concentrar, no prazo dado, 25% do PIB mundial. Chirac e alguns outros líderes forçam para que se crie um triângulo e querem atrair a Rússia — que passaria a ser européia pela primeira vez em sua história — para esse terceiro vértice europeu.

As ditaduras muçulmanas, especialmente as árabes, cobram a ajuda do “porco imperialista” para conter seus fundamentalistas, mas rejeitam os “valores decadentes” do Ocidente, como a democracia. Até o governo brasileiro tirou uma casquinha. Num discurso contra a guerra, o presidente Lula conjugou o verbo quatorze vezes na primeira pessoa. Duda Mendonça não teve dúvida: “A nossa guerra é contra a fome”. Os Estados Unidos, ao menos, venceram a deles…

Já a reação das ruas, essa foi pautada, claro!, por bons sentimentos, mas também por recalque e ignorância, compartilhados, muitas vezes, por todos nós — a menos que estivéssemos ideologicamente convencidos de que se travava no Iraque um dos prenúncios do Armagedon. A verdade é que, cidadãos comuns, repugna-nos a constatação de que os impérios têm uma essência amoral. Tendemos a reagir mal à obviedade de que, não impusessem a sua vontade, seriam outra coisa. O nosso primeiro impulso, anterior à compreensão, é o furor judicioso, a sentença moral. Cada bomba que caía sobre Bagdá parecia querer confirmar a impressão de que os Estados Unidos só chegaram a ser a maior potência da Terra porque se impuseram pelo terror, pela guerra, pela morte, pela violência, pelo assassinato, pela força, pelas armas. E tudo isso é mentira! Reagíamos como tolos, embora as nossas motivações fossem boas e justas — tolice e boas intenções não se excluem e costumam arder juntas no inferno.

Aqui, é forçoso lembrar Edward Gibbon (1737-1794) e de sua magnífica obra Declínio e Queda do Império Romano. Num dado momento, o autor aborda o que chama “tríplice aspecto” sob o qual “o progresso das sociedades” pode ser avaliado: 1) o talento extraordinário e individual; 2) a formação de indivíduos ou pequenos grupos voltada para a conhecimento; e, finalmente, o terceiro aspecto, de que reproduzo alguns trechos: “(…) Felizmente para a humanidade, as artes mais úteis (…) podem ser exercidas sem a necessidade de talentos extraordinários (…), sem os poderes de um só ou a união de muitos. (…) Desde a descoberta primeva das artes, a guerra, o comércio e o ardor religioso difundiram entre os selvagens do Velho e do Novo Mundo esses dons inestimáveis. Eles se propagam aos poucos e jamais poderão perder-se. Podemos, portanto, chegar todos à aprazível conclusão de que cada época da história do mundo aumentou e continua a aumentar efetivamente a riqueza, a felicidade, o saber e quiçá a virtude da raça humana”.

O autor se debruçou sobre treze séculos de um império que conjugou domínio territorial e inquestionável poder de impor uma visão de mundo, o que se estendeu das artes à religião, passando pelo direito. Nem guerras amorais nem imperativos éticos o impediram de reconhecer que, com ou sem gênios individuais, o sumo das conquistas dos impérios restou para a espécie humana. Quantos de nós, os humanistas de pé quebrado, temos claro que a tecnologia de guerra serviu — e serve ainda, a exemplo da Internet — para prolongar e tornar ainda mais venturosa a trajetória humana na Terra? Quantas foram as conquistas científicas que o capital americano (ou a concupiscência da indústria farmacêutica) gerou neste tempo e quanto isso contribuiu para elevar a expectativa de vida mesmo em países pobres como o Brasil?

Uma nação que se negasse a pressionar Kruchev com o fim do mundo, na chamada crise dos mísseis cubanos, ou que se abstivesse de impor sua vontade a Bagdá teria feito o primeiro transplante de coração ou reproduzido, desta feita no éter, as grandes navegações do século XVI? Um Portugal ou uma Espanha que reconhecessem os valores dos “povos da floresta” teriam se lançado ao mar? Um líder que tivesse obedecido ao princípio senatorial e se deixado intimidar pelo Rubicão teria nos legado o direito romano como herança? A única nação com poder de dissuasão e de ataque forte o bastante para impor sua vontade deveria se eximir de fazê-lo como se o que existe — o seu poderio — devesse ainda reivindicar o estatuto de realidade de fato?

Reparem, leitores, não estou aqui a defender os Estados Unidos, muito menos o horror da guerra. Se tenho de matar uma barata, luto entre minha hesitação e sua repugnante rapidez. Ocorre que faz crer o antiamericanismo de ocasião, formado por verdadeiros “anticândidos” consumidos pela ignorância e pelos bons sentimentos, que rumamos para o pior dos mundos, para o abismo. Junto com Gibbon, apesar de tudo, convido-os a distinguir uma linha inextinguível de contínuo aprimoramento da civilização humana. Quando foi mesmo que a espécie viveu dias melhores? A saudade do que não tivemos, o Eldorado perdido, nem mesmo reacionária é. É só uma bobagem.

Sim, o mundo parece ser maior e mais complexo do que pode alcançar a compreensão de George W. Bush. O ataque ao Iraque, sem a clara concordância do Conselho de Segurança da ONU e por motivos comprovadamente mentirosos, jogou as nações num vazio jurídico. É tudo verdade. Mas Gibbon nos socorre e nos faz lembrar que a tragédia da vez pode ser uma quase aborrecida repetição de circunstâncias, preenchida com atores novos. É claro que isso não absolve os Estados Unidos de um ato imoral. Mas nem a guerra nem seus desdobramentos são julgados por tribunais morais, ainda que assim eles se queiram. Considero um imperativo ético que todos prefiramos a paz à guerra, desde que a primeira não seja a qualquer preço. Ameaças finalistas sempre semelham o apocalipse brandido por profetas de si mesmos.

Temos muito a aprender com aquela mesma América onde Tocqueville concluiu que os males da democracia se curavam com ainda mais democracia — e, quem sabe?, algo a ensinar. Sobre o antiamericanismo, crescente também por aqui, talvez nos cumprisse responder por que, tendo tão poucos motivos para nos identificar tanto com o “agressor” como com o “agredido”, escolhemos logo a “vítima”. Mas isso fica para outra hora.

* Originalmente publicado na revista BRAVO! nº 69, de junho de 2003. Integra o livro Contra o Consenso (Editora Barracuda)

Por Reinaldo Azevedo

domingo, 18 de setembro de 2011

Lula explica o Bolsa Esmola

"Olha, lamentavelmente, no Brasil, o voto não é ideológico. Lamentavelmente as pessoas não votam partidariamente. Lamentavelmente você tem uma parte da sociedade que pelo alto grau de empobrecimento ela é conduzia a pensar pelo estômago e não pela cabeça. É por isso que se distribui tanta cesta básica, é por isso que se distribui tanto ticket de leite por que isso é uma peça de troca em época de eleição. E, assim, você despolitiza o processo eleitoral".

Lula em 2000, candidato a presidente de plantão.

"Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais."

Lula recém empossado em 2003.

"Ainda tem gente que critica o Bolsa Família. Eu acho normal. Eu atingi uma idade que eu não tenho mais o direito de me ofender com essas coisas. Alguns dizem assim: o Bolsa Família é uma esmola, é assistencialismo, é demagogia e vai por aí a fora. Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que ainda fala ‘o Bolsa Família é para deixar as pessoas preguiçosas porque quem recebe não quer mais trabalhar’"
Lula em 2009, depois de se graduar grão-mestre em comprar votos, tanto do povo, com bolsa-esmola, quanto do congresso, com o mensalão.

Eu sou imbecil e ignorante mesmo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Motos

Dica de direção ofensiva contra as motos: em velocidades superiores a 80km/h, ultrapasse a moto e depois ligue o esguicho por alguns segundos. Observe no retrovisor o motoqueiro esfregando a viseira do capacete e ria da cara dele. No trânsito da cidade, a dica é esperar o motoqueiro se posicionar ao seu lado, no semáforo. Aí é só usar o esguicho novamente e o limpador de parabrisa deve jogar alguma água nele, obtendo efeito parecido. Contribua para livrar o trânsito dessas pragas de duas rodas.