segunda-feira, 7 de março de 2011

Então, morra!

Mais uma na linha da série "Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é!"
Os esquerdistas vivem a acusar a direita brasileira de desejar a morte dos pobres. Os esquerdistas só querem o bem dos pobres. O Trabalhista Brasileiro, prefeito de Manaus, Amazonino Mendes teve a seguinte discussão com uma moradora de área de risco:


Tudo bem que há o atenuante do contexto da dicussão, e alguém pode até dizer que o sujeito não é esquerdista, mas porque está filiado ao PTB? Agora alguém já imaginou frase como essa dita pelo saudoso ACM? Ou de Índio da Costa? Ia passar a semana inteira no Jornal Nacional sendo alvo de desconstrução política.

domingo, 6 de março de 2011

Hino da Líbia

De 1951, quando ficou independente até 1969, quando o poder foi tomado por Muamar Kadafi, o hino da Líbia era o que se segue, conforme minha tradução da tradução inglesa:

Coro:
Oh, meu país, com minha luta e minha paciência
Expulse os inimigos e os azares,
e sobreviva!
Sobreviva a tudo, nós somos o teu resgate
Oh Líbia!

Oh, meu país! Tu és a herança dos nossos avós,
Que Deus lance fora qualquer mão que queira te ferir
Sobreviva! Nós somos teus soldados eternos,
E se tu sobreviveres não ligamos para quem perecer.
A ti nós fazemos votos solenes
De que nós, Oh Líbia, nunca te decepcionaremos.
Nunca voltaremos aos grilhões, fomos libertados, e libertamos nossa pátria mãe
Líbia.

E este é o hino da Líbia a partir de 1969, após o controle de Muamar Kadafi. Na verdade o hino era originalmente um hino de guerra do exército egípcio, usado na Guerra de Suez, em 1956. Foi adotado por Kadafi como hino nacional da Líbia como parte de seu propósito de unir as nações árabes. Porém, quando o Egito assinou um tratado de paz com Israel em 1979, ele cortou as relações com o país. Manteve o hino, mas não mais se menciona suas origens pelas autoridades líbias.


1. Deus é o maior! Deus é o maior!

Ele está acima das conspirações e agressores
E Ele é o melhor ajudador dos oprimidos.
Com fé e com armas eu defenderei o meu país,
E a luz da verdade brilhará nas minhas mãos.

CORO:
Cante comigo! Cante comigo!
Deus, Deus, Deus é o maior!
Deus está acima dos agressores.

2. Deus é o maior! Deus é o maior!

Oh mundo, olhe e ouça!
O exército inimigo está chegando,
Querendo me destruir.
Com verdade e com minha arma eu irei expulsá-lo.

CORO

3. Deus é o maior! Deus é o maior!

Cante comigo, maldição aos imperialistas!
E Deus está acima do tirano traiçoeiro.
Deus é o maior! Então glorifique-O, oh meu país,
E agarre a face do tirano e destrua-o!

CORO

sábado, 5 de março de 2011

Kim Jong Il e a Coréia do Norte

No filme Team America, Kim Jong Il é na verdade 
um casulo para uma barata alienígena.

Kim Jong Il é o ditador da Coréia do Norte. Ele assumiu o poder em 1998, após a morte do seu pai. Afirma ter nascido numa cabana de madeira e seu nascimento foi marcado por um arco-íris duplo. É chamado pelos súditos de Líder Amado, e pela comediante Kathleen Madigan de "a Amy Winehouse dos ditadores." Kim Jong Il é considerado o melhor jogador de golfe (segundo ele próprio conta, poderia derrotar Tiger Woods com facilidade, pois acertou 11 buracos com uma tacada na primeira vez que segurou um taco de golfe em toda a sua vida) da Coréia do Norte, e também o inventor do hamburguer, do basquetebol e do microondas, possui 17 palácios, enquanto o povo nortecoreano morre de fome (estima-se que tenham morrido de inanição 3 milhões na última década). Kim Jong Il é um grande fã de filmes, e sua coleção que em 2008 era de mais de 20.000 DVDs humilha os 400 e poucos que eu possuo. É fã ardoroso dos filmes de James Bond, Rambo e Sexta-Feira 13. Seu filho era um fã da Disney, e já foi pego tentando entrar no Japão com passaporte falso para visitar o famoso parque de Tóquio.
Resolvi visitar o site oficial da República Popular Democrática da Coréia e encontrei diversas pérolas que vão traduzidas a seguir:

Reunificação


Apenas poucas pessoas no mundo sabem que a Coréia é dividida por uma grande muralha de concreto no Paralelo 38, que foi construída pelos Estados Unidos da América quando a Guerra da Coréia terminou. Essa muralha é centenas de vezes maior que aquela que existia na Alemanha e separa as famílias, irmãos e parentes coreanos... a nação está dividida porque os EUA dominam a parte sul e mantém um exército de mais de 40.000 soldados para evitar a união do povo coreano.
A Coréia é um estado independente e soberano, mas o Sul ainda é controlado pelos interesses imperialistas e tropas americanas. Se qualquer cidadão do Sul tentar visitar a Coréia do Norte atravessando a muralha de concreto, ele será morto pelos soldados americanos. A 'Lei de Segurança' na Coréia do Sul proíbe que qualquer cidadão sul-coreano fale ou leia sobre o Norte, se o fizer, será punido com cadeia ou mesmo pena de morte.
Desde o fim da guerra, uma das maiores preocupações do Grande Líder Kim Il Sung e do Querido Líder Kim Jong Il foi a Unificação das famílias coreanas. O Grande Líder disse:


'Unificar o país dividido neste momento é a suprema tarefa nacional de todo o povo coreano, e nós não podemos esperar nem mais um momento para realizá-la'.


Em 1980 ele escreveu o programa para a constituição da 'Confederação Republicana Democrática de Koryo' onde ele expôs os pontos básicos de uma unificação pacífica do país respeitando tanto os sistema capitalista quanto o socialista.


A unificação da Coréia, a paz na península e o encontro das famílias é possível, mas os EUA não estão interessados nisso, e todos os anos com o apoio do Exército Sul Coreano eles demonstram grandes manobras militares como a 'Lentes de Aumento de Ulji' ou 'Espírito de Equipe' com o propósito de invadir e dominar o Norte. Somente quando os soldados americanos deixarem a Coréia do Sul e os seus cidadãos irão recuperarem a sua soberania, uma grande nação coreana unida será possível.


Paz, Amizade e Independência são as esperanças do povo coreano, e ninguém irá parar esse desejo ardoroso das famílias separadas de estarem juntas novamente.


Comovente, não? Lá também há um FAQ sobre o país. Vejamos algumas perguntas e respostas interessantes:

1. Posso conseguir uma foto autografada de do Líder Kim Jong Il?
O KFA Shop está oferecendo esse produto. Por favor visite a seguinte página:
http://www.korea-dpr.com/catalog2


3. Posso emigrar para a Coréia do Norte e viver lá?
É possível apenas em situações muito especiais e tendo honra/méritos. Você precisa mandar uma solicitação declarando as suas razões, junto com seu Curriculum Vitae completo, uma cópia do seu passaporte e certificações para korea@korea-dpr.com


4. Posso trabalhar na Coréia do Norte como professor/intérprete/(outro)?
Não.


5. Posso viajar para a Coréia do Norte? Ouvi dizer que é impossível. É verdade?
Você pode viajar para a Coréia do Norte somente como turista, ou como parte de uma delegação convidada  ao país pelo governo. O Companhia Coreana de Viagens Internacionais (Ryogaengsa) pode lhe dar mais informações sobre viagens turísticas, e a Associação de Amizade Coreana (KFA) também organiza delegações para visitar a Coréia do Norte todos os anos. Veja mais informações em http://www.korea-dpr.com/travel


6. Sou um cidadão americano/Sou um cidadão sul coreano, posso visitar a Coréia do Norte?
Protocolos especiais estão em vigor em relação aos cidadãos americanos e sul coreanos. Contate a sua embaixada local para mais informações. A KFA organiza viagens e concede vistos para alguns cidadãos americanos que tenham contribuído para a paz e amizade entre os EUA e a Coréia do Norte.


8. Posso viajar a Coréia do Norte como mochileiro?
Não. Você deve viajar apenas em grupos, mesmo que seja o único participante, você precisa estar com guias coreanos a todo momento.


13. A Coréia do Norte é uma ditadura?
Não, a Coréia do Norte é uma democracia constitucional de partido único unificado, garantido liberdade de expressão e assembléia a todos os cidadãos. Os cidadãos desempenham um papel ativo na vida política da nação em nível local, regional e nacional, através dos seus sindicatos de classe ou como membros de um dos três partidos políticos do país, o Partido dos Trabalhadores da Coréia, o Partido Chondoist Chongu e o Partido Social Democrata Coreano.


14. A Coréia do Norte proíbe a religião?
A Coréia do Norte é uma sociedade multiconfessional, com um grande número de cristãos e budistas, por exemplo. Embora a maioria dos norte coreanos sejam ateístas ou não religiosos, todos os cidadãos gozam de liberdade religiosa total sob a Constituição Socialista.

24. É verdade que todos os cidadãos norte coreanos trabalham para o governo?
Governo e povo são um só. Não há distinção entre eles.
.
A coisa toda é um conjunto de aberrações e maluquices. Kim Jong Il seguiu fielmente o conselho de Lênin. "Acuse-os do que você faz. Xingue-os do que você é." Kim Jong Il também se declarou um expert em Internet. Já ia esquecendo, há rumores de que o Amado Líder está morto há 5 anos.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Muamar Kadafi

Muamar Kadafi tomou o poder na Líbia em 1969, com apenas 27 anos de idade. O seu primeiro ato como governante da Líbia foi expulsar todos os italianos do país, demonstrando o seu apreço pela Itália. Ele entregou o posto de Primeiro Ministro três anos depois, em 1972, e passou a se chamar "Líder e Guia Irmão da Revolução" e "Guia da Grande Revolução de Primeiro de Setembro da Grande Jamahiriya Árabe Líbia Popular e Socialista", provavelmente considerando que uma plaqueta dessas no seu gabinete cairia melhor que a de Primeiro Ministro.
Placa mostrando a frase "Grande Jamahiriya Árabe
Líbia Popular e Socialista" em Praga.

Jamahiriya vem a ser um neologismo árabe para república das massas. Kadafi começou a se vestir de maneira absurda, além de usar maquiagem exagerada. Ao mesmo tempo ele ordenou que o seu esquadrão de guarda-costas fosse composto por mulheres virgens. Em 2010 ele visitou a Itália e deu uma palestra exclusiva para mulheres, todas pagas para assistir. Nessa palestra ele declarou que toda a Europa deveria se converter ao Islã, e também que a União Européia deveria pagar 5 bilhões de euros por ano para dar fim à imigração ilegal de líbios para o velho mundo.

Guarda-costas virgens e roupas extravagantes,
combinação perfeita para impor respeito no mundo dos ditadores insanos.

Num discurso de duas horas feito na ONU, durante o qual inúmeras delegações se retiraram em protesto, Kadafi declarou apoio aos piratas somali, chamou Barak Obama de "meu filho", afirmou que Israel era responsável pelo assassinato de JFK e em seguida reclamou aos líderes mundiais reunidos para ouvi-lo que estava cansado e sofrendo de jet lag por causa da viagem de avião. 


Deixaram ele falar, agora aguentem.

Até o momento, Kadafi ainda está no poder e anuncia que lutará até a última gota de sangue para não sair dele. Considera que é muito importante para a Líbia continuar sendo governada por um dos donos da Juventus de Turim (comprou uma parte do clube apenas para que um de seus filhos pudesse ter a chance de jogar lá), e também o cara que fez uma petição à ONU para que dissolvesse a Suíça e dividisse o território entre Alemanha, França e Itália. Provavelmente ele vai banir os suíços do país.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Anotações sobre o filme El Dorado

El Dorado, de 1966, reúne as estrelas John Wayne como o pistoleiro Cole Thornton e Robert Mitchum como o xerife J.P. Harrah, mas também tem a participação do jovem James Caan, que carrega o hilário nome de Allan Bourdillion Traherne, pelo qual se apresenta com muito orgulho, mas acaba sendo preferivelmente chamado de Mississipi, por ter nascido numa embarcação no rio de mesmo nome. Mississipi é um exímio atirador de facas, mas péssimo com armas de fogo. Sem tempo para treiná-lo, Thornton faz ele comprar um arma que em inglês se chama sawed off shotgun. Em português seria uma espingarda de cano serrado. Por ter o cano serrado, a arma faz um barulho assustador e lança chumbo espalhado na direção pra onde se aponta. Quando é usada, o único lugar seguro é atrás dela, dessa forma o atirador não precisa ter uma pontaria precisa para acertar o que quer. Essa arma produz cenas hilárias no filme.
Note a "sawed off shotgun" nas mãos de James Caan

James Caan também protagoniza uma cena muito mal feita nesse ótimo filme, quando se joga deitado na frente de cavalos em disparada. O corte na cena, provavelmente para introduzir um boneco no lugar do autor é muito visível, e dá pra se pensar em várias maneiras de eliminar isso, mesmo com os recursos da época. Mississipi faz essa loucura porque acredita que um cavalo nunca pisa num homem, como explica mais tarde e logo em seguida percebe o olhar espantado de Thornton e Harrah, que duvidam dessa crendice, o que deixa Mississipi visivelmente assustado, se dando conta da maluquice que fez.

O filme também possui música inspirada no poema de Edgar Allan Poe, que tem alguns trechos declamados por James Caan ao longo da trama.

Essa é a música tema e minha tradução:

In sunshine and shadow, from darkness til noon
over mountains that reach from the sky to the moon.
a man with a dream that will never let go
keeps searching to find El Dorado.


So ride, boldly ride, to the end of the rainbow.
Ride, boldly ride, til you find El Dorado.


The wind becomes bitter, the sky turns to gray.
His body grows weary, he can't find his way.
But he'll never turn back though he's lost in the snow...
for he has to find El Dorado.


So ride, boldly ride, to the end of the rainbow.
Ride, boldly ride, til you find El Dorado.


My daddy once told me what a man ought to be.
There's much more to life than the things we can see.
And the godliest mortal you ever will know
is the one with the dream of El Dorado.


So ride, boldly ride, to the end of the rainbow.
Ride, boldly ride, til you find El Dorado.



Pelo sol e pela sombra, da escuridão ao meio-dia
Pelas montanhas que vão do céu até a lua
Um homem com um sonho que persiste
Continua a procurar por El Dorado.

Então cavalgue, cavalgue corajosamente, ao final do arco-íris
Cavalgue, cavalgue corajosamente, até encontrar El Dorado.

O vento fica mais fustigante, o céu torna-se cinza
O seu corpo fica cansado, ele não consegue encontrar o caminho
Mas ele nunca irá voltar, mesmo perdido na neve...
Porque ele tem que encontrar El Dorado.

Então cavalgue, cavalgue corajosamente, ao final do arco-íris
Cavalgue, cavalgue corajosamente, até encontrar El Dorado.

Meu papai uma vez me contou como um homem deveria ser
Há muito mais na vida do que as coisas que podemos ver
E o mortal mais divino que você vai conhecer
É aquele que sonha com El Dorado.

Então cavalgue, cavalgue corajosamente, ao final do arco-íris
Cavalgue, cavalgue corajosamente, até encontrar El Dorado.



E o poema de Poe:

Gaily bedight,
A gallant knight,
In sunshine and in shadow,
Had journeyed long,
Singing a song,
In search of El Dorado.


But he grew old-
This knight so bold-
And o'er his heart a shadow
Fell as he found
No spot of ground
That looked like El Dorado.


And, as his strength
Failed him at length,
He met a pilgrim shadow-
"Shadow," said he,
"Where can it be-
This land of El Dorado?"


"Over the Mountains
Of the Moon,
Down the Valley of the Shadow,
Ride, boldly ride,"
The shade replied-
"If you seek for El Dorado!"


Trajado garbosamente,
Um cavaleiro galante,
Ao sol e à sombra,
Havia viajado longamente,
Cantando uma canção,
Em busca de El Dorado.

Mas ele envelheceu
Esse cavaleiro tão valente
E sobre seu coração uma sombra
Caiu quando ele não encontrou
Uma pista sequer de chão
Que se parecesse com El Dorado.

E, quando suas forças
Faltaram-lhe à distância,
Ele encontrou uma sombra peregrina
"Sombra", disse ele,
"Onde pode estar
Essa terra de El Dorado?"

"Pelas Montanhas
Da Lua,
Pelo Vale das Sombras,
Cavalgue, cavalgue corajosamente,"
A sombra respondeu-lhe
"Se você busca El Dorado!"

O poema de Poe foi publicado em 1849, durante a Corrida do Ouro na Califórnia.

P.S: Após a postagem percebi que o personagem Mississipi guarda em comum com o autor do poema que recita o nome Allan.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Homem de Ferro luta pela propriedade privada

Ao assistir ao filme Homem de Ferro 2 pensamos estar apenas vendo um filme baseado em quadrinhos de super heróis. Mas olhe direito. Homem de Ferro é um defensor da propriedade privada, contra esse abutre chamado governo. Tony Stark é um homem de negócios bem sucedido que herdou a empresa do pai. Ele inventa um traje que lhe dá superpoderes, feito de uma liga de ouro e titânio, e mantém o design em segredo, enfrentando assédio constante do governo que deseja se apossar do traje. Ao meu ver, uma platéia domesticada por anos de pensamento liberal e estado paternalista pode até apoiar essa atitude do governo e achá-la a conduta mais correta, por questões como bem comum e segurança nacional, mas Tony Stark defende a propriedade privada contra toda essa doutrinação. Ele é levado a uma audiência no Senado e ouve um senador exigir que ele entregue os planos para a construção do traje especial. Stark faz um grande discurso onde diz que o governo não pode ter algo que é de sua propriedade. E termina dizendo algo como "Vou servir essa grande nação ao meu bel prazer." É aplaudido pelo público presente.
O próprio Stan Lee, criador do personagem, se gaba de ter criado um personagem capitalista, anticomunista, industrialista e fabricante de armas, apenas para antagonizar deliberadamente os leitores de quadrinhos que se inclinavam para o movimento hippie e antimilitarista dos anos 60. Lee desafiava a si mesmo a criar um personagem que pudesse forçar os leitores a gostar.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Eliot

Thomas Stearns Eliot, mais conhecido como T. S. Eliot, nascido em 26 de setembro de 1888, em St Louis, Missouri, e falecido em 1965. Tido como o poeta da língua inglesa mais importante do século XX, ganhou o Nobel de Literatura em 1948.









Eliot Ness, agente americano dos tempos da Lei Seca, famoso por ter conseguido prender Al Capone. Vivido nas telas de cinema por Kevin Costner, no filme "Os Intocáveis", de 1987. Nasceu em 1903 e faleceu em 1957.











Elliott, personagem interpretado por Henry Thomas no filme E.T. - O Extraterrestre, de 1982. Ficou famoso por tornar-se amigo do personagem título.















Eliot, meu primeiro filho, a quem aguardo ansiosamente, com nascimento previsto para julho deste ano.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Ozymandias

Ozymandias é o nome grego do faraó Ramsés II, e também o codinome de um personagem dos quadrinhos e do filme Watchmen. O reinado de Ozymandias é considerado o período mais glorioso do Egito antigo, e o vigilante Ozymandias é considerado o homem mais inteligente do mundo. No filme, Ozymandias cita o trecho de um soneto de Percy Shelley. O soneto completo e minha tradução livre vão a seguir:

OZYMANDIAS

I met a traveller from an antique land
Who said: Two vast and trunkless legs of stone
Stand in the desert. Near them, on the sand,
Half sunk, a shattered visage lies, whose frown

And wrinkled lip, and sneer of cold command
Tell that its sculptor well those passions read
Which yet survive, stamped on these lifeless things,
The hand that mocked them and the heart that fed.

And on the pedestal these words appear:
"My name is Ozymandias, king of kings:
Look on my works, ye Mighty, and despair!"

Nothing beside remains. Round the decay
Of that colossal wreck, boundless and bare
The lone and level sands stretch far away

OZYMANDIAS

Conheci um viajante vindo de uma antiga terra
Que contou: Duas grandes e desmembradas pernas
Estão de pé no deserto. Na areia, perto delas
Um semblante destruído, os lábios cerra

Com a face de impávido comandante esculpida
Mostra que o escultor conhecia bem sua personalidade
Que ainda sobrevive estampada nessas coisas sem vida,
A mão que zombava e o coração cheio de vaidade.

E na base do pedestal estas palavras se subscrevem:
"Meu nome é Ozymandias, rei de todos os reis.
Contemplem as minhas obras, ó Poderosos, e se desesperem!"

Nada mais se vê, nada mais resta. Na decadência que se fez
Em torno dessa ruína colossal, árida e ilimitada
Se estende pelo infinito a planície de areia desolada.

O soneto parafraseia a inscrição do trono do faraó, como contada por Diodorus Siculus em seu Bibliotheca Historica: "Rei dos reis sou eu, Ozymandias, se alguém conhecer quão grande eu sou e onde eu estou, deixe que supere um dos meus feitos."

O tema central do soneto é a efemeridade de todos os líderes e dos impérios por eles construídos, não importa quão poderosos tenham sido em seu tempo.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Cameron, de Curtindo a Vida Adoidado

Cameron é a sombra do Ferris em Curtindo a Vida Adoidado. O sidekick. Mas o que deu na cabeça desse cara? É estabelecido no filme que ele tem um pai furioso, que ama mais o carro do que ele. Não obstante, Cameron deixa Ferris convencê-lo a tirar da garagem a Ferrari do pai. Ferris diz que é a única maneira de concencer o diretor da escola de que ele é o pai de Sloane, para tirá-la da aula. Mas há outro carro na garagem. Um carro antigo, tudo bem, mas é um clássico de colecionador e poderia ter sido usado em vez da Ferrari.
Olha o carro ali atrás.

Cameron não consegue dizer não a Ferris, e acha que o maior problema dele é que não enfrenta o seu pai? Grandes coisas, se você se mostra absolutamente influenciável pelo seu colega adolescente. Eles saem com a Ferrari, e desde pequeno eu considerei essa uma péssima escolha, mas há mais. Depois de executar o plano com sucesso, em vez de levar o carro pra garagem antes que o pai de Cameron descobrisse, eles resolvem deixá-lo num estacionamento, e a consequência é que dois guardadores fazem o odômetro da Ferrari visitar o quarto dígito, coisa que jamais havia acontecido. Qual a solução que Cameron dá a esse problema? Joga o carro do pai no despenhadeiro nos fundos da garagem, porque é muito melhor que o velho veja o carro completamente destruído que com dígitos a mais no odômetro.
Assim ele não poderá verificar a quilometragem.

Dadas as pistas deixadas ao longo do filme sobre a índole do progenitor, acho justo supor que Cameron foi assassinado pelo seu pai quando ele chegou em casa. Alguns vão usar o mesmo discurso de Ferris Bueller para contra-argumentar. "A vida passa rápido demais. Se você não parar e olhar em volta uma vez ou outra, você poderá perdê-la..."

Se você jogar a Ferrari que seu pai ama de um penhasco, também. RIP, Cameron.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Quint, de Tubarão

Quint é o personagem de Robert Shaw no filme Tubarão, de 1975. Ele aparece no filme impressionando a platéia com sua capacidade de caçar tubarões, mas decepciona. Quint interrompe um debate arranhando um quadro negro, fazendo um barulho horrível e anuncia que por 3 mil dólares ele acha o tubarão assassino que sitiou a cidade de Amity. Logo em seguida ele diz que por 3 mil ele apenas acha o tubarão, mas para matá-lo custará 10 mil. Aí a gente fica pensando em que consiste a primeira opção? Ir ao mar, apontar para o tubarão e embolsar a grana? Mas deixemos essa parte de lado. O filme deixa claro que Quint é mesmo capaz de fazer o que prometeu, pois sua casa está completamente decorada com mandíbulas de tubarões. Quint também conta, bêbado, como escapou do naufrágio do USS Indiana, durante a segunda guerra mundial, quando o navio foi torpedeado e dois terços da sua tripulação foi devorada por tubarões. Tudo indica que o homem sabe lidar com o bicho que povoa os pesadelos da humanidade. Porém, quando o tubarão do título ataca o barco, o inusitado acontece. Sam Quint simplesmente escorrega para dentro da boca do monstro. O personagem que o filme passou quase duas horas retratando como um durão assassino de tubarões simplesmente cede à lei da gravidade e vira refeição. Todo mundo tem direito de errar uma vez na vida, mas desse jeito? E logo após destruir o rádio comunicador E o motor do barco, deixando os outros dois tripulantes completamente na mão? Teria sido mais útil e produtivo ter deixado Quint bêbado na sua mansão de dentaduras de tubarões.
Parabéns, Quint!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Por mais presídios

O Brasil precisa de mais presídios. Os criminosos brasileiros não cabem todos nos presídios que temos. Precisamos de mais presídios, maiores e melhores. Precisamos que a polícia prenda, que o judiciário julgue e que o meliante cumpra a pena no presídio. Sem indultos, sem progressão de pena. É necessário que ele seja privado da liberdade. Seria razoável também que ele fosse obrigado a pagar pelos gastos que proporciona à sociedade trabalhando no presídio. Embora hoje isso seja inconstitucional. Seria ótimo também que seus familiares não recebessem nenhum tipo de auxílio financeiro. Os políticos demagogos dizem que não devemos gastar dinheiro com presídios e sim com escolas. Não constroem nem uma coisa nem a outra. Dizer que precisamos apenas de escolas é só uma desculpa para não construir presídios com capacidade e segurança maior. Também queria extraditar Cesare Battisti para a Itália e poder ter auxiliado os dois pugilistas cubanos a desertarem.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Papa Doc

Francois Duvalier foi presidente vitalício do Haiti até 1971. Era conhecido como Papa Doc, e afirmava ser o espírito vodu da morte, Barão Samedi, o mesmo personagem visto no filme de 007, Viva e deixe morrer.
Esse cara.

Papa Doc chegou ao cúmulo de modificar o Pai Nosso, transformando-o numa versão quase satânica em louvor a si mesmo. "Doc nosso que está no Palácio Nacional por toda a vida..." e por aí vai. Em 1959, Papa Doc entrou em coma por 9 horas, devido a um ataque cardíaco que o deixou com graves danos cerebrais. O ditador haitiano saiu do coma e ordenou que o seu substituto enquanto estava internado, Clement Barbot, fosse preso. Barbot fugiu, e os homens de Papa Doc, com medo de contar a verdade, disseram que ele havia se transformado num grande cão negro. Isso fez com que Duvalier mandasse eliminar todos os cachorros pretos do país. Mais tarde, conseguiram capturar Barbot e ele foi executado. Papa Doc guardou sua cabeça, para praticar rituais de vodu. Em 1961, o presidente convocou eleições, embora seu mandato só terminasse em 1963. Todos ficaram surpresos com essa atitude, até que o resultado da eleição saiu. Papa Doc venceu as eleições com 100% dos votos. Ele morreu de causas naturais em 1971, mas antes disse ao mundo que era o real responsável pelo assassinato de JFK, através de uma maldição vodu. Ele até mandou que alguém fosse ao túmulo de JFK coletar o ar em volta, para que pudesse fazer uma magia e controlar sua alma.


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Leitura de Lula


Lula: estudando o mensalão

Assim que deixar a presidência, Lula disse que vai “estudar” o escândalo do mensalão para desmontar o que considera, veja só, como farsa.
Se começar pelo processo no Supremo, terá bastante trabalho. A ação tem até o momento 190 volumes e 463 apensos – mais de 70 000 páginas, portanto. Lula é conhecido por gostar de muita coisa, menos de ler. Ou seja, esse “estudo” não passará pelo processo.

Por Lauro Jardim, no Radar on-line

domingo, 26 de dezembro de 2010

Inteligência nacional

Nós brasileiros somos uns gênios. Recentemente resolvemos padronizar as tomadas do país, para acabar com aquela bagunça de aparelhos com tomadas de tipos diferentes, que não podiam entrar na tomada da parede. O problema é que uma tomada universal, que aceitava praticamente todos os tipos de aparelhos já existia. Era essa aí da imagem:
Qual era o problema com essa tomada? Até onde eu sei, nenhum. Ela aceitava as tomadas de computadores, tripolares, e aceitava os dois tipos de tomadas mais comuns. Era a tomada padrão. Mas os políticos resolveram que queriam facilitar a nossa vida, e por isso decidiram criar um tipo de tomada completamente diferente, que só aceitava um padrão de tomada bipolar que já existia e a tripolar teria que ser algo totalmente novo. Obrigado, Brasil! George Orwell dizia em seus romances que uma das finalidades das guerras era a destruição de bens de consumo para que fossem comprados novos. Aqui no Brasil não temos guerra, mas temos os políticos para criar esse padrão de tomada aí:
Que simplesmente não permite o encaixe de nenhum computador do padrão anterior, e inúmeros carregadores de celular que utilizavam aquela tomada fina, por exemplo. A solução é fazer adaptadores caseiros com tês, comprar adaptadores mais mal feitos que o que a gente faz em casa, ou trocar a tomada de sua casa se comprar um computador novo. Padronização aqui no Brasil é assim. Em vez de aproveitar algo que já existe e é compatível, criamos um novo padrão e obrigamos todo mundo a trocar tudo. É a inteligência nacional. Os mesmos políticos também inventam leis onde um taxista pode transportar seu filho sem um equipamento especial, mas você, que é o pai, não pode.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os Princípios da Discordância Baseada nas Ideias *

Os relacionamentos são a chave para o sucesso num mundo governado por humanos sociais que vivem para interagir uns com os outros e que fazem quase tudo em grupo, equipes, famílias, tribos, companhias, e outras estruturas sociais. Os relacionamentos são baseados em confiança que é construída através da comunicação efetiva. A comunicação efetiva se baseia em ideias, não em pessoas.


1. Não é possível saber o que o outro está pensando ou sentindo. Nós observamos seu rosto e ouvimos sua voz. Nós observamos a sua linguagem corporal e lemos o texto que ele escreve. Dessas observações, especulamos sobre o que ele pensa e sente, mas essas deduções estão nas nossas mentes, e não na dele.

2. Não é possível saber as motivações do outro. Nunca saberemos porque alguém faz algo. As pessoas provavelmente não sabem elas mesmas explicar porque fazem algumas coisas.

3. Nossas observações não são evidências. Nós podemos sentir fortemente que tiramos uma conclusão final e absolutamente correta sobre uma outra pessoa, através daquilo que observamos, mas estamos errados. Podemos ver padrões no seu comportamento, mas esses padrões que vemos são apenas o retrato do momento que testemunhamos. Nós podemos não estar vendo a plenitude do seu comportamento. Ela pode agir diferentemente conosco e com outras pessoas, dependendo do contexto. Nós ainda assim não saberemos o que ela está pensando, o que está sentindo, nem quais são suas motivações.

4. Compartilhar nossas observações sobre o comportamento do outro é feedback. Quando nós contamos a outra pessoa que observamos que ela está empenhada num certo comportamento, e então compartilhamos com ela as conclusões que nós tiramos sobre esse comportamento, nós estamos dando feedback à outra pessoa. Isso não quer dizer que nossas conclusões são válidas, simplesmente significa que agora a outra pessoa está informada de que quando ela faz X, nós interpretamos isso como Y.

5. Compartilhar nossas especulações é ser puramente crítico. Quando nós contamos ao outro nossas especulações sobre ele, especialmente quando impomos nossas conclusões como fatos concretos, nós estamos fazendo críticas destrutivas. A outra pessoa irá, com 99% de certeza, perder os seus sentimentos de boa vontade para conosco por tê-la responsabilizado por nossas próprias especulações, e não irá aceitar a crítica nem mudar de comportamento.

6. Críticas destroem relacionamentos e a comunicação. Quando sua mãe dizia, "Se você não tem algo de bom a dizer a outra pessoa, não diga nada", ela sabia do que estava falando. Quando criticamos os outros, perdemos credibilidade. Quando comentamos sobre ideias, ganhamos credibilidade. Nunca diga algo negativo sobre alguém. Nunca.

Não importa o que possamos acreditar sobre o porque dos nossos artigos e tópicos em fóruns de discussão na Internet ser deletados logo após postarmos, seguir os princípios acima pode transformar o ato destrutivo de irritar pessoas na Internet por diversão numa atividade construtiva que nos dará experiência prática para toda e qualquer interação que tivermos com outras pessoas no futuro.


* Retirado do site 24 Fighting Chickens, artigo "All Disagreement Shall Be Deleted", escrito por Rob Redmond em 12 de outubro de 2007. Traduzido e publicado aqui com o consentimento do autor.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Porque celebrar o Natal

Só existe um motivo para celebrar o Natal, mas esse motivo é tão amplamente ignorado que as festas natalinas devem ser consideradas uma superstição em sentido estrito, a repetição ritualizada de uma conduta habitual que já não tem significado nenhum e na qual, portanto, cada um está livre para projetar as fantasias bobas que bem entenda.

Jesus Cristo, encarnação do Verbo Divino, ou inteligência de Deus, veio ao mundo para oferecer-se como vítima sacrificial única e definitiva, encerrando um ciclo histórico que durava desde as origens da humanidade e que era regido essencialmente pela Lei do Sacrifício (v. Ananda Coomaraswamy, A Lei do Sacrifício, e René Girard, O Bode Expiatório).

A Lei do Sacrifício é inerente à estrutura da existência cósmica. Só Deus tem a plenitude do ser, e o que quer que exista sem ser Deus tem uma existência precária, fundada num débito ontológico insanável, que na escala da alma humana se manifesta como culpa.

A Lei do Sacrifício não pode ser suspensa e jamais o foi.

O que Nosso Senhor Jesus Cristo fez foi cumpri-la toda de uma vez, instituindo em lugar do Sacrifício a Eucaristia, que é a recordação do ato sacrificial definitivo. A recordação passa então a ter o valor de uma repetição sem necessidade de novas vítimas.

Antes as vítimas se somavam: 1 + 1 + 1 + 1...

Agora a vítima única se multiplica por si mesma no ato da Eucaristia: 1 x 1 x 1 x 1...

Façam as contas e compreenderão por que o Natal deve ser celebrado.

O problema é que o fim de um ciclo histórico não traz necessariamente, para as gerações seguintes, a consciência da mutação ocorrida.

Essa consciência deve ser reconquistada e retransmitida de geração em geração, e na sociedade moderna essa transmissão cessou já faz algum tempo. Pouquíssimas pessoas têm uma consciência clara do que ganharam com o Natal. A maioria, mesmo quando recebe presentes, não sabe que eles apenas simbolizam um ganho muito maior que já foi obtido 2003 anos atrás.

Esse ganho pode ser explicado em poucas palavras:

Todo homem, pelo simples fato de existir, é atormentado pela culpa e vive num constante discurso interior de acusação e defesa, que produz medo, ódio, inveja, ciúme, busca obsessiva de aprovação. Esses sentimentos tornam o homem vulnerável às palavras más, às acusações e insinuações que lhe chegam de seus semelhantes, da cultura ambiente ou de seu próprio interior. O conjunto dessas acusações e insinuações é o espírito demoníaco, que em razão da culpa mesma tem poder incalculável sobre o ser humano. Em busca de proteção contra esse poder, o homem se submete aos maus e aos intrigantes, isto é, aos representantes do próprio espírito demoníaco, acreditando que aqueles que podem feri-lo devem também poder ajudá-lo. Com isso ele se torna a vítima sacrificial, o bode expiatório num grotesco ritual simulado.

Cristo adverte-nos que esse sacrifício é inútil, desnecessário e pecaminoso. Não existe no mundo um poder ou autoridade habilitado a exigir vítimas. Deus Pai só exigiu uma, e Ele mesmo a forneceu. Quem quer que, depois disso, se sinta culpado, não deve se oferecer como vítima sacrificial perante altar nenhum. Deve apenas recordar-se do sacrifício de Cristo e alegrar-se. Isso é tudo.

Muitas pessoas até sabem que as coisas são assim, mas entendem isso somente do ponto de vista religioso formal, sem tirar desse conhecimento as conseqüências práticas de ordem psicológica, que são portentosas:

Aquele que se ofereceu para ser sacrificado em nosso lugar não é um cobrador de dívidas nem um acusador, mas um salvador. Ele nada pede, apenas oferece. E em troca aceita uma palavrinha, um sorriso, uma intenção inexpressa, qualquer coisa, pois não é irritadiço nem orgulhoso: é manso e humilde.

Se, sabendo disso, você ainda é vulnerável aos olhares acusadores e às palavras venenosas, se ainda sente ante os intrigantes e os maldosos um pouco de temor reverencial e tenta aplacá-los com mostras de submissão para que eles não o exponham à vergonha ou não o castiguem de algum outro modo, é porque ainda não compreendeu o sentido do Natal.

Esse sentido é simples e direto: os maus e intrigantes não têm mais nenhuma autoridade sobre você. Não baixe a cabeça perante eles, não consinta que suas fraquezas sejam exploradas pela malícia do mundo.

Jesus Cristo já pagou a sua dívida.

É por isso que comemoramos o Natal.


Olavo de Carvalho
25 de dezembro de 2003

sábado, 18 de dezembro de 2010

Minidocumentário do jornalista Dimas Oliveira

Porque o Japão realmente perdeu a guerra *

Introdução

Não é segredo que o Japão era, digamos, "economicamente defasado" em sua capacidade de fazer guerra contra os Aliados. Entretanto, a completa e estonteante magnitude dessa disparidade econômica não deixa de me impressionar. Assim, apenas para dar a vocês uma ideia da grandeza dessa disparidade, eu decidi compilar algumas estatísticas. A maioria delas foi tirada dos livros "The Rise and Fall of the Great Powers", de Paul Kennedy (que, entre outras coisas, contém uma excelente análise das forças econômicas em ação na II Guerra Mundial, e é um grande livro) e "World War II: A Statistical Survey", de John Ellis. Nesta comparação, focaremos primariamente nos dois grandes antagonistas da Guerra do Pacífico: Japão e Estados Unidos. Dizem que Economia é a 'ciência deprimente'; vocês verão o porquê...

Visão geral

Na época em que a II Guerra Mundial iniciou (oficialmente em 1939, na Polônia, informalmente em 1937, na China), a América estava nos braços da Grande Depressão por uma década, mais ou menos. Um dos efeitos da Depressão foi introduzir um monte de "sobra" na economia dos EUA. Muitos dos trabalhadores americanos estavam ou desempregados (10 milhões em 1939) ou subempregados, e a indústria de base como um todo tinha muito mais capacidade do que era necessária na época. Em termos econômicos, a taxa de utilização de capacidade era muito baixa. Para uma cultura estrangeira, particularmente uma cultura militarista como a japonesa, a América certamente aparentava ser 'mole' e despreparada para uma grande guerra. E mais, o sucesso do Japão em lutar contra oponentes muito maiores (Rússia nos anos 1900 e China nos anos 30) e o fato da economia japonesa estar praticamente superaquecendo (em maior parte como resultado de níveis insalubres de gastos militares - 28% do PIB nacional em 1937) provavelmente encheu os japoneses de um senso errôneo de superioridade militar e econômica sobre seu grande inimigo do outro lado do oceano. Entretanto, um observador isento notaria também alguns fatores importantes. A América, mesmo no meio de um caos econômico aparentemente interminável, ainda tinha:

- Quase o dobro da população japonesa;
- PIB dezessete vezes maior que o japonês;
- Produção de aço cinco cezes maior;
- Produção de carvão sete vezes maior;
- Produção de automóveis 80 (oitenta!) vezes maior.

Além do mais, a América tinha algumas vantagens escondidas que não apareciam diretamente nos números da produção industrial. Por exemplo, as fábricas americanas eram, na média, mais modernas e automatizadas que as da Europa e do Japão. Adicionalmente, as práticas administrativas da América naquela época eram as melhores do mundo. Combinados esses fatores, a produção per capita dos trabalhadores americanos era a maior do mundo. Mais ainda, os Estados Unidos estavam mais do que dispostos a utilizar mulheres nos esforços de guerra: uma vantagem tremenda para os americanos, e um conceito que as forças do Eixo parecem só ter captado no final do conflito. O efeito cascata de todos esses fatores significava que mesmo nas profundezadas da Grande Depressão, o potencial bélico dos Estados Unidos era pelo menos sete vezes maior que o do Japão, e, tivesse a "sobra" sido eliminada em 1939, isso aumentaria para perto de nove a dez vezes mais! Na verdade, de acordo com Paul Kennedy, uma síntese do poder bélico total em 1937 seria algo parecido com o seguinte:






País% de Poder Bélico
Estados Unidos41.7%
Alemanha14.4%
URSS14.0%
Grã-Bretanha10.2%
França4.2%
Japão3.5%
Itália2.5%
As sete potências (total)(90.5%)



Quando os japoneses atacaram Pearl Harbor em dezembro de 1941, o gigante adormecido foi acordado e começou a procurar encrenca. E mesmo que a maioria do potencial bélico da América tenha sido utilizada contra a Alemanha (que era, de longe, o mais perigoso dos membros do Eixo, de novo por razões econômicas), ainda havia bastante sobrando para ser usado contra o Japão. Lá pelo meio de 1942, mesmo antes da força dos Estados Unidos estar sendo sentida globalmente, as fábricas americanas estavam começando a fazer um efeito material no progresso da guerra. Os Estados Unidos manufaturaram o que parecia ser uma quantidade infinita de equipamentos e provisões que foram canalizados não apenas para suas próprias tropas, mas também para as da Grã-Bretanha e da União Soviética. Em 1944, a maioria das outras potências, ainda que produzindo furiosamente, estavam começando a maximizar seu potencial econômico (seus níveis de produção estavam estagnando). Isso era resultado da destruição da indústria de base e esgotamento de recursos (no caso da Alemanha e Japão), ou pela completa exaustão da força de trabalho (no caso da Grã-Bretanha e em alguma medida, da União Soviética). Em contraste, os Estados Unidos não sofreram de nenhum desses problemas, e como consequência, sua economia cresceu a uma taxa anual de 15% durante os anos de guerra. Por mais espantoso que soe, ao final da guerra, os Estados Unidos estavam apenas começando a 'esquentar'. E talvez não seja uma surpresa que em 1945 a economia americana era responsável por 50% do PIB global!

Produção bélica

Quais, então, eram os números concretos, em termos de produção bélica, dessas duas indústrias concorrentes? Vamos apresentar algumas estatísticas na tabela que se segue, começando por embarcações navais, porque eram um indexador de força muito importante na guerra do Pacífico.




Produção de navios de guerra
Estados Unidos
CV/CVL/CVE
BB
CA/CL
DD
Escoltas
Subs
1941
-
2
1
2
-
2
1942
18
4
8
82
-
34
1943
65
2
11
128
298
55
1944
45
2
14
74
194
81
1945
13
-
14
63
6
31
Total
141
10
48
349
498
203

Japão
CV/CVL/CVE
BB
CA/CL
DD
Escoltas
Subs
1941
6
1
-
-
?
-
1942
4
1
4
10
?
61
1943
2
-
3
12
?
37
1944
5
-
2
24
?
39
1945
-
-
-
17
?
30
Total
17
2
9
63
?
167

[Legenda: CV/CVL/CVE = Porta-aviões de todos os tipos; BB = Encouraçados; CA/CL= Cruzadores pesados, Cruzadores médios; DD =Destroiérs; Escoltas = Destroiérs escoltas, fragatas, escunas e corvetas]


Alguns comentários. Primeiro, a maioria dos porta-aviões listados nos totais americanos eram porta-aviões 'Jeep', carregando duas dúzias de aviões e mais apropriados para tarefas de escolta, em vez de combate no fronte (o que não tira a sua efetividade como plataformas anti-submarino e de apoio no solo). Mas também deve ser notado que os porta-aviões americanos, na média, tinham capacidades maiores que os seus semelhantes japoneses (entre 80 e 90 aviões contra algo entre 60 e 70). O resultado disso é que, em 1944, quando a Força Tarefa 38 ou 58 (dependendo se era Halsey ou Spruance no comando dos porta-aviões americanos no momento) vinha brincar, ela podia trazer perto de mil aviões de combate. Esse tipo de poder foi crucial para vencer a guerra - os Estados Unidos podiam, literalmente, trazer mais aviões do que qualquer ilha com base aérea poderia colocar para sua própria defesa, como a neutralização das ilhas Truk e Marshall provam.

Os outros números importantes aqui são os números totais de destroiers e escoltas. O Japão, um império ilha, que dependia totalmente de manter rotas marítimas abertas para assegurar a importação de matéria prima, só conseguiu construir 63 destroiers, e um número não especificado (e pela minha contagem extraoficial, relativamente pequeno) de escoltas. No mesmo período de tempo, os EUA colocaram na água algo em torno de 847 embarcações antisubmarino! E esse total nem sequer cobre as coisas pequenas como os iates armados e caça-submarinos que eles usaram na costa ocidental contra os U-Boats alemães. No geral, no fim da guerra, a força naval americana era algo sem precedentes. Na verdade, em 1945, a Marinha americana era maior que todas as outras marinhas do mundo, juntas!

A Guerra do Pacífico também era em grande medida uma guerra de navios mercantes, já que praticamente tudo o que era necessária para defender ou atacar as várias bases nas ilhas do Império Japonês tinha que ser transportado sobre vastas extensões oceânicas. O Japão também tinha que manter suas rotas marítimas vitais a lugares como Bornéu e Java, para suprir sua base industrial. Uma olhada nos números relativos da construção de navios dos dois antagonistas é esclarecedor.






Produção de navios mercantes (em toneladas)
AnoEstados UnidosJapão
1939376.419320.466
1940528.697293.612
19411.031.974210.373
19425.479.766260.059
194311.448.360769.085
19449.288.1561.699.203
19455.839.858599.563
Total33.993.2304.152.361


Toda vez que eu olho para esses números, fico completamente impressionado. Os Estados Unidos construíram mais navios mercantes nos primeiros quatro meses e meio de 1943 que o Japão colocou na água em sete anos. A outra coisa realmente interessante é que não houve aumento realmente notável na construção de navios japoneses até 1943, um período em que já era muito tarde para estancar o sangramento. Assim como o seu programa de construção de escoltas, os japoneses estavam operando sob uma estratégia nacional tragicamente falha que ditava que a guerra com os Estados Unidos seria curta. Lembrando, os Estados Unidos tinham que devotar uma boa parte dos navios mercantes que ele construía para substituir aqueles perdidos para os U-Boats alemães. Mas não seria uma piada dizer que eles estavam literalmente construindo navios mais rápido do que alguém podia afundá-los, e ainda havia o bastante para transportar montanhas de suprimentos para os lugares mais ermos e desolados do Pacífico. O culto dos polinésios aos cargueiros não começou por acaso, e foi graças aos milhares de navios mercantes americanos já que a maioria daquele povo não tinha visto sequer um abridor de latas na vida antes.

Por fim, nenhum exame da Guerra do Pacífico estaria completo sem dar uma olhada no poder aéreo. Apesar de toda a conversa sobre a Guerra do Pacífico ser uma "Guerra dos Porta-aviões", um porta-aviões não é nada mais que um veículo para transportar aeronaves a uma área de operações. Por mais que aviões não fossem o bastante para tomar e manter ilhas sozinhos, a supremacia aérea era vital para assegurar que tais bastiões pudessem ser enfraquecidos e capturados. Abaixo há uma tabela descrevendo a produção de aviões dos dois antagonistas.






Produção de aeronaves
AnoEstados UnidosJapão
19395.8564.467
194012.8044.768
194126.2775.088
194247.8368.861
194385.89816.693
194496.31828.180
194549.7618.263
Total324.75076.320


Mais uma vez, uma diferença bem discrepante. Não apenas isso, mas como Paul Kennedy afirma, os Aliados não estavam apenas construindo mais aviões, mas muitos deles eram de design mais avançado também, como os novos caças F4U Corsair e F6F Hellcat. O Japão, por outro lado, se baseaou completamente nos caças Zero por toda a guerra. O Zero era um design brilhante em muitos aspectos, mas lá por 1943 já estava claramente ultrapassado pelos novos modelos americanos. Esse padrão se repetiu por cada categoria de aeronave nos dois arsenais opostos. E mais, uma grande parte do total da produção americana (97.810 unidades) era composto de aviões bombardeiros multimotor (ou dois ou quatro motores), enquanto apenas 15.117 unidades dos aviões japoneses eram bombardeiros (universalmente bimotores). Assim, se alguém fosse olhar a produção total de aviões em termo de número de motores, peso total do avião ou peso total do armamento carregado, as diferenças na produção ficariam ainda mais acentuadas.

Implicações estratégicas

Então, a América estava em vantagem, e daí? Vamos pegar, por exemplo, a importância da Batalha de Midway. Midway era citada como o 'Ponto da Virada no Pacífico', a 'Batalha que Arruinou o Japão' e mais um monte de epítetos da mesma espécie. E não há questionamento que ela realmente quebrou a capacidade ofensiva da marinha japonesa. A questão é: que diferença a economia americana teria feito se os Estados Unidos tivessem sido acachapantemente derrotados na Batalha de Midway? Vamos pegar o pior cenário (que, incidentalmente, era completamente implausível, dada a vantagem americana de surpresa estratégica) no qual uma completo revés ocorreria e os Estados Unidos perderiam o Enterprise, Yorktown e Hornet, e o Japão não perderia nenhum dos seus quatro porta-aviões que estavam presentes.







Midway: antes e depoisPorta-aviões americanos
(# de aviões)
Total de navios / Total de aviõesPorta-aviões japoneses
(# de aviões)
Total de navios / Total de aviões
Pré-Midway
(Histórico)
Saratoga (88), Wasp (no Atlântico) (76), Enterprise (85), Yorktown (85), Hornet (85)5 CV

419 
Kaga (90), Akagi (91), Soryu (71), Hiryu (73), Zuikaku (84), Shokaku (84), Ryujo (38), Zuiho (30)6 CV
2 CVL

561 
Pós-Midway
(Histórico)
Saratoga (88), Wasp (no Atlântico) (76), Enterprise (85), Hornet (85)4 CV

334 
Zuikaku (84), Shokaku (84), Ryujo (38), Zuiho (30)2 CV
2 CVL

246 
Pós-Midway
(Hipotético)
Saratoga (88), Wasp (76)2 CV

164 
Kaga (90), Akagi (91), Soryu (71), Hiryu (73), Zuikaku (84), Shokaku (84), Ryujo (38), Zuiho (30)6 CV
2 CVL

561 


 Depois de tal batalha hipotética, o equilíbrio das forças disponíveis no Pacífico seria de 2 porta-aviões americanos contra 8 japoneses, 164 aviões contra 561. A questão é, perder Midway realmente teria importado? Quanto tempo levaria para que as docas americanas recuperassem a diferença e tirassem os Estados Unidos do buraco? Um porta-aviões podia ser posto em combate após três meses de construído. O fato é que em apenas um ano os Estados Unidos já superariam de novo os japoneses em número de porta-aviões e aeronaves no pacífico, dada a produção dos dois países. Em outras palavras, mesmo perdendo catastroficamente a Batalha de Midway, a marinha americana, em 1944 já teria quase o dobro de superioridade em capacidade de transporte de aviões! Não apenas isso, mas com os novos e melhores designs de aviões, a marinha americana teria gozado não só de uma supremacial numérica, mas também de uma vantagem qualitativa crítica, no final de 1943. Tudo isso não é para dizer que perder a Batalha de Midway não seria uma grande golpe nos Estados Unidos. Por exemplo, a maré poderia ter virado se os EUA não fossem capazes de montar algum tipo de contra-ataque nas Solomons durante a última metade de 1942. Sem um poder aéreo apoiado por porta-aviões, eles não teriam muitas esperanças de fazer isso, significando que teriam perdido as Solomons. Entretanto, no longo prazo as implicações são claras: os Estados Unidos poderiam bancar perdas que os japoneses simplesmente não suportariam. Além do que, essa comparação não reflete o fato dos Estados Unidos terem de fato atrasado o seu programa de construção de porta-aviões no fim de 1944, quando ficou evidentemente claro que havia menos necessidade deles. Se os Estados Unidos tivessem perdido em Midway, esses porta-aviões adicionais (10 no total) teriam sido trazidos ao fronte rapidamente. Num sentido macroeconômico, a Batalha de Midway foi um não-evento. Não havia necessidade dos Estados Unidos mirar numa única e decisiva batalha que arruinaria o Japão - o Japão já estava arruinado pela sua própria decisão de entrar em guerra.

A prova final dessa discrepância econômica está no desenvolvimento da bomba atômica. O Projeto Manhattan requisitou um enorme comprometimento dos Estados Unidos. E como Paul Kennedy declara, "...apenas os Estados Unidos sozinhos tinham na época os recursos produtivos e tecnológicos não apenas para entrar em duas guerras convencionais de larga escala mas também para investir em cientistas, matéria prima e dinheiro (mais ou menos 2 bilhões de dólares) no desenvolvimento de uma arma nova que poderia ou não funcionar." Em outras palavras, a economia americana era tão predominante que eles sabiam que podiam bancar um dos maiores esforços científicos da história basicamente com as "sobras" do esforço de guerra! O que quer que alguém pense moral ou estrategicamente do uso de armas nucleares contra o Japão, está claro que o seu desenvolvimento foi uma demonstração de força econômica sem precedentes.

Conclusão

Em retrospecto, é difícil compreender como a liderança japonesa conseguiu racionalizar o seu caminho através dos fatores econômicos quando eles vislumbraram entrar em guerra contra os Estados Unidos. Até porque, eles não eram homens estúpidos. De fato, estudos internos da Marinha Imperial conduzidos em 1941 mostraram exatamente os números de produção naval que foram mencionados acima. No final, entretanto, o governo Tojo escolheu o caminho da agressão, impelido pela política interna que transformou a suposição de abandonar o fronte na China (que seria o único meio do embargo americano cessar) um caminho humilhante demais para ser escolhido. Consequentemente, os japoneses embarcaram no que só pode ser descrito como uma empreitada suicida, contra um inimigo colossalmente maior. Entretanto, o seu maior erro foi desprezar o músculo econômico que estava parcialmente adormecido do outro lado do Pacífico. Na realidade, o erro crasso foi a má interpretação da força de vontade do povo americano. Quando o gigante americano acordou, não foi em desespero por causa das derrotas que os japoneses lhe infligiram. Em vez disso, ele acordou com raiva, e aplicou cada grama de sua força tremenda com uma fúria fria e calculista contra o seu inimigo. O preço tenebroso pago pelo Japão - 1,8 milhão de mortes militares, completa aniquilação do seu exército, mais ou menos meio milhão de mortes civis, e absoluta destruição de praticamente todas as grandes áreas urbanas dentro das Home Islands - é a testemunha muda da loucura dos seus líderes militares.

* Retirado e adaptado do site http://www.combinedfleet.com/economic.htm, minha tradução.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Joe DiMaggio

Joe DiMaggio é um jogador de baseball lendário. A primeira vez que ouvir falar dele foi lendo o livro de Ernest Hemingway, "O velho e o mar". No livro, Joe DiMaggio não é um personagem, mas é constantemente mencionado pelo protagonista Santiago, que o trata como se fosse um desportista superior a Pelé. Mais que um desportista, alguém a quem consultaria sobre diversos assuntos, mesmo sem nunca tê-lo conhecido. Santiago admira DiMaggio e gostaria de saber a opinião do jogador de baseball sobre sua pescaria, por exemplo. Mais tarde ouvi falar de DiMaggio pela segunda vez, na música Mrs. Robinson, de Paul Simon e Art Garfunkel. Os versos dizem: Where have you gone, Joe DiMaggio, a nation turns its lonely eyes to you. What's that you say, Mrs. Robinson? Joltin' Joe has left and gone away. Que traduzo como: Aonde você foi, Joe DiMaggio, uma nação lança seu olhar solitário a ti. O que é que você disse, Sra. Robinson? Joltin' Joe nos deixou e foi embora. Também li que o Joe ficou meio chateado com esses versos e respondeu que não tinha ido a lugar algum, porém Paul Simon explicou que os versos eram uma homenagem à despretensiosa estatura heróica do ex-jogador numa época em que a cultura pop distorce a imagem que temos dos heróis. A frase é um retrato da busca e valorização dos heróis dos americanos. Aqui no Brasil, eu incluso, poucas pessoas respeitam o Pelé, por exemplo, a ponto de se indagar o que ele acharia de alguma situação cotidiana ou extraordinária, como é descrito no livro "O velho e o mar". Mas Santiago, no meio da pescaria de um peixe fabuloso, diz a si mesmo: "Como eu gostaria que me visse agora o grande DiMaggio." E Paul Simon o lembra numa música como um dos grandes heróis americanos. Aonde eu queria chegar com esse texto? Lugar algum, realmente. Apenas anotações mentais que ponho agora no papel.

Parábolas

Muitos reclamam que as palavras dos sábios são sempre meras parábolas e não têm utilidade na vida diária, que é a única vida que temos. Quando o sábio diz: "Vá em frente", ele não quer dizer que você deva viajar para algum lugar de fato, o que poderíamos fazer, mesmo assim, se o esforço valesse a pena; ele fala sobre algum lugar fabuloso, algo desconhecido para nós, algo que ele também não consegue definir de maneira precisa, logo é algo que não pode nos ajudar aqui no fim das contas. Todas essas parábolas apenas acabam explicando meramente que o incompreensível é incompreensível, e isso nós já sabemos. Mas os afazeres com os quais temos que lidar todos os dias: isso é um assunto diferente.

A respeito disso um homem disse certa vez: Por que tal relutância? Se apenas seguissem as parábolas, vocês mesmos se tornariam parábolas e dessa forma se livrariam de todos os seus afazeres diários.

Um outro respondeu: Eu aposto que isso também é uma parábola.

O primeiro disse: Você venceu.

E o segundo disse: Mas infelizmente apenas em parábola.

O primeiro disse: Não, na realidade. Na parábola você perdeu.

Por Franz Kafka, originalmente em alemão, traduzido do inglês por mim.