sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Papa Doc

Francois Duvalier foi presidente vitalício do Haiti até 1971. Era conhecido como Papa Doc, e afirmava ser o espírito vodu da morte, Barão Samedi, o mesmo personagem visto no filme de 007, Viva e deixe morrer.
Esse cara.

Papa Doc chegou ao cúmulo de modificar o Pai Nosso, transformando-o numa versão quase satânica em louvor a si mesmo. "Doc nosso que está no Palácio Nacional por toda a vida..." e por aí vai. Em 1959, Papa Doc entrou em coma por 9 horas, devido a um ataque cardíaco que o deixou com graves danos cerebrais. O ditador haitiano saiu do coma e ordenou que o seu substituto enquanto estava internado, Clement Barbot, fosse preso. Barbot fugiu, e os homens de Papa Doc, com medo de contar a verdade, disseram que ele havia se transformado num grande cão negro. Isso fez com que Duvalier mandasse eliminar todos os cachorros pretos do país. Mais tarde, conseguiram capturar Barbot e ele foi executado. Papa Doc guardou sua cabeça, para praticar rituais de vodu. Em 1961, o presidente convocou eleições, embora seu mandato só terminasse em 1963. Todos ficaram surpresos com essa atitude, até que o resultado da eleição saiu. Papa Doc venceu as eleições com 100% dos votos. Ele morreu de causas naturais em 1971, mas antes disse ao mundo que era o real responsável pelo assassinato de JFK, através de uma maldição vodu. Ele até mandou que alguém fosse ao túmulo de JFK coletar o ar em volta, para que pudesse fazer uma magia e controlar sua alma.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os Princípios da Discordância Baseada nas Ideias *

Os relacionamentos são a chave para o sucesso num mundo governado por humanos sociais que vivem para interagir uns com os outros e que fazem quase tudo em grupo, equipes, famílias, tribos, companhias, e outras estruturas sociais. Os relacionamentos são baseados em confiança que é construída através da comunicação efetiva. A comunicação efetiva se baseia em ideias, não em pessoas.


1. Não é possível saber o que o outro está pensando ou sentindo. Nós observamos seu rosto e ouvimos sua voz. Nós observamos a sua linguagem corporal e lemos o texto que ele escreve. Dessas observações, especulamos sobre o que ele pensa e sente, mas essas deduções estão nas nossas mentes, e não na dele.

2. Não é possível saber as motivações do outro. Nunca saberemos porque alguém faz algo. As pessoas provavelmente não sabem elas mesmas explicar porque fazem algumas coisas.

3. Nossas observações não são evidências. Nós podemos sentir fortemente que tiramos uma conclusão final e absolutamente correta sobre uma outra pessoa, através daquilo que observamos, mas estamos errados. Podemos ver padrões no seu comportamento, mas esses padrões que vemos são apenas o retrato do momento que testemunhamos. Nós podemos não estar vendo a plenitude do seu comportamento. Ela pode agir diferentemente conosco e com outras pessoas, dependendo do contexto. Nós ainda assim não saberemos o que ela está pensando, o que está sentindo, nem quais são suas motivações.

4. Compartilhar nossas observações sobre o comportamento do outro é feedback. Quando nós contamos a outra pessoa que observamos que ela está empenhada num certo comportamento, e então compartilhamos com ela as conclusões que nós tiramos sobre esse comportamento, nós estamos dando feedback à outra pessoa. Isso não quer dizer que nossas conclusões são válidas, simplesmente significa que agora a outra pessoa está informada de que quando ela faz X, nós interpretamos isso como Y.

5. Compartilhar nossas especulações é ser puramente crítico. Quando nós contamos ao outro nossas especulações sobre ele, especialmente quando impomos nossas conclusões como fatos concretos, nós estamos fazendo críticas destrutivas. A outra pessoa irá, com 99% de certeza, perder os seus sentimentos de boa vontade para conosco por tê-la responsabilizado por nossas próprias especulações, e não irá aceitar a crítica nem mudar de comportamento.

6. Críticas destroem relacionamentos e a comunicação. Quando sua mãe dizia, "Se você não tem algo de bom a dizer a outra pessoa, não diga nada", ela sabia do que estava falando. Quando criticamos os outros, perdemos credibilidade. Quando comentamos sobre ideias, ganhamos credibilidade. Nunca diga algo negativo sobre alguém. Nunca.

Não importa o que possamos acreditar sobre o porque dos nossos artigos e tópicos em fóruns de discussão na Internet ser deletados logo após postarmos, seguir os princípios acima pode transformar o ato destrutivo de irritar pessoas na Internet por diversão numa atividade construtiva que nos dará experiência prática para toda e qualquer interação que tivermos com outras pessoas no futuro.


* Retirado do site 24 Fighting Chickens, artigo "All Disagreement Shall Be Deleted", escrito por Rob Redmond em 12 de outubro de 2007. Traduzido e publicado aqui com o consentimento do autor.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Minidocumentário do jornalista Dimas Oliveira

Porque o Japão realmente perdeu a guerra *

Introdução

Não é segredo que o Japão era, digamos, "economicamente defasado" em sua capacidade de fazer guerra contra os Aliados. Entretanto, a completa e estonteante magnitude dessa disparidade econômica não deixa de me impressionar. Assim, apenas para dar a vocês uma ideia da grandeza dessa disparidade, eu decidi compilar algumas estatísticas. A maioria delas foi tirada dos livros "The Rise and Fall of the Great Powers", de Paul Kennedy (que, entre outras coisas, contém uma excelente análise das forças econômicas em ação na II Guerra Mundial, e é um grande livro) e "World War II: A Statistical Survey", de John Ellis. Nesta comparação, focaremos primariamente nos dois grandes antagonistas da Guerra do Pacífico: Japão e Estados Unidos. Dizem que Economia é a 'ciência deprimente'; vocês verão o porquê...

Visão geral

Na época em que a II Guerra Mundial iniciou (oficialmente em 1939, na Polônia, informalmente em 1937, na China), a América estava nos braços da Grande Depressão por uma década, mais ou menos. Um dos efeitos da Depressão foi introduzir um monte de "sobra" na economia dos EUA. Muitos dos trabalhadores americanos estavam ou desempregados (10 milhões em 1939) ou subempregados, e a indústria de base como um todo tinha muito mais capacidade do que era necessária na época. Em termos econômicos, a taxa de utilização de capacidade era muito baixa. Para uma cultura estrangeira, particularmente uma cultura militarista como a japonesa, a América certamente aparentava ser 'mole' e despreparada para uma grande guerra. E mais, o sucesso do Japão em lutar contra oponentes muito maiores (Rússia nos anos 1900 e China nos anos 30) e o fato da economia japonesa estar praticamente superaquecendo (em maior parte como resultado de níveis insalubres de gastos militares - 28% do PIB nacional em 1937) provavelmente encheu os japoneses de um senso errôneo de superioridade militar e econômica sobre seu grande inimigo do outro lado do oceano. Entretanto, um observador isento notaria também alguns fatores importantes. A América, mesmo no meio de um caos econômico aparentemente interminável, ainda tinha:

- Quase o dobro da população japonesa;
- PIB dezessete vezes maior que o japonês;
- Produção de aço cinco cezes maior;
- Produção de carvão sete vezes maior;
- Produção de automóveis 80 (oitenta!) vezes maior.

Além do mais, a América tinha algumas vantagens escondidas que não apareciam diretamente nos números da produção industrial. Por exemplo, as fábricas americanas eram, na média, mais modernas e automatizadas que as da Europa e do Japão. Adicionalmente, as práticas administrativas da América naquela época eram as melhores do mundo. Combinados esses fatores, a produção per capita dos trabalhadores americanos era a maior do mundo. Mais ainda, os Estados Unidos estavam mais do que dispostos a utilizar mulheres nos esforços de guerra: uma vantagem tremenda para os americanos, e um conceito que as forças do Eixo parecem só ter captado no final do conflito. O efeito cascata de todos esses fatores significava que mesmo nas profundezadas da Grande Depressão, o potencial bélico dos Estados Unidos era pelo menos sete vezes maior que o do Japão, e, tivesse a "sobra" sido eliminada em 1939, isso aumentaria para perto de nove a dez vezes mais! Na verdade, de acordo com Paul Kennedy, uma síntese do poder bélico total em 1937 seria algo parecido com o seguinte:






País% de Poder Bélico
Estados Unidos41.7%
Alemanha14.4%
URSS14.0%
Grã-Bretanha10.2%
França4.2%
Japão3.5%
Itália2.5%
As sete potências (total)(90.5%)



Quando os japoneses atacaram Pearl Harbor em dezembro de 1941, o gigante adormecido foi acordado e começou a procurar encrenca. E mesmo que a maioria do potencial bélico da América tenha sido utilizada contra a Alemanha (que era, de longe, o mais perigoso dos membros do Eixo, de novo por razões econômicas), ainda havia bastante sobrando para ser usado contra o Japão. Lá pelo meio de 1942, mesmo antes da força dos Estados Unidos estar sendo sentida globalmente, as fábricas americanas estavam começando a fazer um efeito material no progresso da guerra. Os Estados Unidos manufaturaram o que parecia ser uma quantidade infinita de equipamentos e provisões que foram canalizados não apenas para suas próprias tropas, mas também para as da Grã-Bretanha e da União Soviética. Em 1944, a maioria das outras potências, ainda que produzindo furiosamente, estavam começando a maximizar seu potencial econômico (seus níveis de produção estavam estagnando). Isso era resultado da destruição da indústria de base e esgotamento de recursos (no caso da Alemanha e Japão), ou pela completa exaustão da força de trabalho (no caso da Grã-Bretanha e em alguma medida, da União Soviética). Em contraste, os Estados Unidos não sofreram de nenhum desses problemas, e como consequência, sua economia cresceu a uma taxa anual de 15% durante os anos de guerra. Por mais espantoso que soe, ao final da guerra, os Estados Unidos estavam apenas começando a 'esquentar'. E talvez não seja uma surpresa que em 1945 a economia americana era responsável por 50% do PIB global!

Produção bélica

Quais, então, eram os números concretos, em termos de produção bélica, dessas duas indústrias concorrentes? Vamos apresentar algumas estatísticas na tabela que se segue, começando por embarcações navais, porque eram um indexador de força muito importante na guerra do Pacífico.




Produção de navios de guerra
Estados Unidos
CV/CVL/CVE
BB
CA/CL
DD
Escoltas
Subs
1941
-
2
1
2
-
2
1942
18
4
8
82
-
34
1943
65
2
11
128
298
55
1944
45
2
14
74
194
81
1945
13
-
14
63
6
31
Total
141
10
48
349
498
203

Japão
CV/CVL/CVE
BB
CA/CL
DD
Escoltas
Subs
1941
6
1
-
-
?
-
1942
4
1
4
10
?
61
1943
2
-
3
12
?
37
1944
5
-
2
24
?
39
1945
-
-
-
17
?
30
Total
17
2
9
63
?
167

[Legenda: CV/CVL/CVE = Porta-aviões de todos os tipos; BB = Encouraçados; CA/CL= Cruzadores pesados, Cruzadores médios; DD =Destroiérs; Escoltas = Destroiérs escoltas, fragatas, escunas e corvetas]


Alguns comentários. Primeiro, a maioria dos porta-aviões listados nos totais americanos eram porta-aviões 'Jeep', carregando duas dúzias de aviões e mais apropriados para tarefas de escolta, em vez de combate no fronte (o que não tira a sua efetividade como plataformas anti-submarino e de apoio no solo). Mas também deve ser notado que os porta-aviões americanos, na média, tinham capacidades maiores que os seus semelhantes japoneses (entre 80 e 90 aviões contra algo entre 60 e 70). O resultado disso é que, em 1944, quando a Força Tarefa 38 ou 58 (dependendo se era Halsey ou Spruance no comando dos porta-aviões americanos no momento) vinha brincar, ela podia trazer perto de mil aviões de combate. Esse tipo de poder foi crucial para vencer a guerra - os Estados Unidos podiam, literalmente, trazer mais aviões do que qualquer ilha com base aérea poderia colocar para sua própria defesa, como a neutralização das ilhas Truk e Marshall provam.

Os outros números importantes aqui são os números totais de destroiers e escoltas. O Japão, um império ilha, que dependia totalmente de manter rotas marítimas abertas para assegurar a importação de matéria prima, só conseguiu construir 63 destroiers, e um número não especificado (e pela minha contagem extraoficial, relativamente pequeno) de escoltas. No mesmo período de tempo, os EUA colocaram na água algo em torno de 847 embarcações antisubmarino! E esse total nem sequer cobre as coisas pequenas como os iates armados e caça-submarinos que eles usaram na costa ocidental contra os U-Boats alemães. No geral, no fim da guerra, a força naval americana era algo sem precedentes. Na verdade, em 1945, a Marinha americana era maior que todas as outras marinhas do mundo, juntas!

A Guerra do Pacífico também era em grande medida uma guerra de navios mercantes, já que praticamente tudo o que era necessária para defender ou atacar as várias bases nas ilhas do Império Japonês tinha que ser transportado sobre vastas extensões oceânicas. O Japão também tinha que manter suas rotas marítimas vitais a lugares como Bornéu e Java, para suprir sua base industrial. Uma olhada nos números relativos da construção de navios dos dois antagonistas é esclarecedor.






Produção de navios mercantes (em toneladas)
AnoEstados UnidosJapão
1939376.419320.466
1940528.697293.612
19411.031.974210.373
19425.479.766260.059
194311.448.360769.085
19449.288.1561.699.203
19455.839.858599.563
Total33.993.2304.152.361


Toda vez que eu olho para esses números, fico completamente impressionado. Os Estados Unidos construíram mais navios mercantes nos primeiros quatro meses e meio de 1943 que o Japão colocou na água em sete anos. A outra coisa realmente interessante é que não houve aumento realmente notável na construção de navios japoneses até 1943, um período em que já era muito tarde para estancar o sangramento. Assim como o seu programa de construção de escoltas, os japoneses estavam operando sob uma estratégia nacional tragicamente falha que ditava que a guerra com os Estados Unidos seria curta. Lembrando, os Estados Unidos tinham que devotar uma boa parte dos navios mercantes que ele construía para substituir aqueles perdidos para os U-Boats alemães. Mas não seria uma piada dizer que eles estavam literalmente construindo navios mais rápido do que alguém podia afundá-los, e ainda havia o bastante para transportar montanhas de suprimentos para os lugares mais ermos e desolados do Pacífico. O culto dos polinésios aos cargueiros não começou por acaso, e foi graças aos milhares de navios mercantes americanos já que a maioria daquele povo não tinha visto sequer um abridor de latas na vida antes.

Por fim, nenhum exame da Guerra do Pacífico estaria completo sem dar uma olhada no poder aéreo. Apesar de toda a conversa sobre a Guerra do Pacífico ser uma "Guerra dos Porta-aviões", um porta-aviões não é nada mais que um veículo para transportar aeronaves a uma área de operações. Por mais que aviões não fossem o bastante para tomar e manter ilhas sozinhos, a supremacia aérea era vital para assegurar que tais bastiões pudessem ser enfraquecidos e capturados. Abaixo há uma tabela descrevendo a produção de aviões dos dois antagonistas.






Produção de aeronaves
AnoEstados UnidosJapão
19395.8564.467
194012.8044.768
194126.2775.088
194247.8368.861
194385.89816.693
194496.31828.180
194549.7618.263
Total324.75076.320


Mais uma vez, uma diferença bem discrepante. Não apenas isso, mas como Paul Kennedy afirma, os Aliados não estavam apenas construindo mais aviões, mas muitos deles eram de design mais avançado também, como os novos caças F4U Corsair e F6F Hellcat. O Japão, por outro lado, se baseaou completamente nos caças Zero por toda a guerra. O Zero era um design brilhante em muitos aspectos, mas lá por 1943 já estava claramente ultrapassado pelos novos modelos americanos. Esse padrão se repetiu por cada categoria de aeronave nos dois arsenais opostos. E mais, uma grande parte do total da produção americana (97.810 unidades) era composto de aviões bombardeiros multimotor (ou dois ou quatro motores), enquanto apenas 15.117 unidades dos aviões japoneses eram bombardeiros (universalmente bimotores). Assim, se alguém fosse olhar a produção total de aviões em termo de número de motores, peso total do avião ou peso total do armamento carregado, as diferenças na produção ficariam ainda mais acentuadas.

Implicações estratégicas

Então, a América estava em vantagem, e daí? Vamos pegar, por exemplo, a importância da Batalha de Midway. Midway era citada como o 'Ponto da Virada no Pacífico', a 'Batalha que Arruinou o Japão' e mais um monte de epítetos da mesma espécie. E não há questionamento que ela realmente quebrou a capacidade ofensiva da marinha japonesa. A questão é: que diferença a economia americana teria feito se os Estados Unidos tivessem sido acachapantemente derrotados na Batalha de Midway? Vamos pegar o pior cenário (que, incidentalmente, era completamente implausível, dada a vantagem americana de surpresa estratégica) no qual uma completo revés ocorreria e os Estados Unidos perderiam o Enterprise, Yorktown e Hornet, e o Japão não perderia nenhum dos seus quatro porta-aviões que estavam presentes.







Midway: antes e depoisPorta-aviões americanos
(# de aviões)
Total de navios / Total de aviõesPorta-aviões japoneses
(# de aviões)
Total de navios / Total de aviões
Pré-Midway
(Histórico)
Saratoga (88), Wasp (no Atlântico) (76), Enterprise (85), Yorktown (85), Hornet (85)5 CV

419 
Kaga (90), Akagi (91), Soryu (71), Hiryu (73), Zuikaku (84), Shokaku (84), Ryujo (38), Zuiho (30)6 CV
2 CVL

561 
Pós-Midway
(Histórico)
Saratoga (88), Wasp (no Atlântico) (76), Enterprise (85), Hornet (85)4 CV

334 
Zuikaku (84), Shokaku (84), Ryujo (38), Zuiho (30)2 CV
2 CVL

246 
Pós-Midway
(Hipotético)
Saratoga (88), Wasp (76)2 CV

164 
Kaga (90), Akagi (91), Soryu (71), Hiryu (73), Zuikaku (84), Shokaku (84), Ryujo (38), Zuiho (30)6 CV
2 CVL

561 


 Depois de tal batalha hipotética, o equilíbrio das forças disponíveis no Pacífico seria de 2 porta-aviões americanos contra 8 japoneses, 164 aviões contra 561. A questão é, perder Midway realmente teria importado? Quanto tempo levaria para que as docas americanas recuperassem a diferença e tirassem os Estados Unidos do buraco? Um porta-aviões podia ser posto em combate após três meses de construído. O fato é que em apenas um ano os Estados Unidos já superariam de novo os japoneses em número de porta-aviões e aeronaves no pacífico, dada a produção dos dois países. Em outras palavras, mesmo perdendo catastroficamente a Batalha de Midway, a marinha americana, em 1944 já teria quase o dobro de superioridade em capacidade de transporte de aviões! Não apenas isso, mas com os novos e melhores designs de aviões, a marinha americana teria gozado não só de uma supremacial numérica, mas também de uma vantagem qualitativa crítica, no final de 1943. Tudo isso não é para dizer que perder a Batalha de Midway não seria uma grande golpe nos Estados Unidos. Por exemplo, a maré poderia ter virado se os EUA não fossem capazes de montar algum tipo de contra-ataque nas Solomons durante a última metade de 1942. Sem um poder aéreo apoiado por porta-aviões, eles não teriam muitas esperanças de fazer isso, significando que teriam perdido as Solomons. Entretanto, no longo prazo as implicações são claras: os Estados Unidos poderiam bancar perdas que os japoneses simplesmente não suportariam. Além do que, essa comparação não reflete o fato dos Estados Unidos terem de fato atrasado o seu programa de construção de porta-aviões no fim de 1944, quando ficou evidentemente claro que havia menos necessidade deles. Se os Estados Unidos tivessem perdido em Midway, esses porta-aviões adicionais (10 no total) teriam sido trazidos ao fronte rapidamente. Num sentido macroeconômico, a Batalha de Midway foi um não-evento. Não havia necessidade dos Estados Unidos mirar numa única e decisiva batalha que arruinaria o Japão - o Japão já estava arruinado pela sua própria decisão de entrar em guerra.

A prova final dessa discrepância econômica está no desenvolvimento da bomba atômica. O Projeto Manhattan requisitou um enorme comprometimento dos Estados Unidos. E como Paul Kennedy declara, "...apenas os Estados Unidos sozinhos tinham na época os recursos produtivos e tecnológicos não apenas para entrar em duas guerras convencionais de larga escala mas também para investir em cientistas, matéria prima e dinheiro (mais ou menos 2 bilhões de dólares) no desenvolvimento de uma arma nova que poderia ou não funcionar." Em outras palavras, a economia americana era tão predominante que eles sabiam que podiam bancar um dos maiores esforços científicos da história basicamente com as "sobras" do esforço de guerra! O que quer que alguém pense moral ou estrategicamente do uso de armas nucleares contra o Japão, está claro que o seu desenvolvimento foi uma demonstração de força econômica sem precedentes.

Conclusão

Em retrospecto, é difícil compreender como a liderança japonesa conseguiu racionalizar o seu caminho através dos fatores econômicos quando eles vislumbraram entrar em guerra contra os Estados Unidos. Até porque, eles não eram homens estúpidos. De fato, estudos internos da Marinha Imperial conduzidos em 1941 mostraram exatamente os números de produção naval que foram mencionados acima. No final, entretanto, o governo Tojo escolheu o caminho da agressão, impelido pela política interna que transformou a suposição de abandonar o fronte na China (que seria o único meio do embargo americano cessar) um caminho humilhante demais para ser escolhido. Consequentemente, os japoneses embarcaram no que só pode ser descrito como uma empreitada suicida, contra um inimigo colossalmente maior. Entretanto, o seu maior erro foi desprezar o músculo econômico que estava parcialmente adormecido do outro lado do Pacífico. Na realidade, o erro crasso foi a má interpretação da força de vontade do povo americano. Quando o gigante americano acordou, não foi em desespero por causa das derrotas que os japoneses lhe infligiram. Em vez disso, ele acordou com raiva, e aplicou cada grama de sua força tremenda com uma fúria fria e calculista contra o seu inimigo. O preço tenebroso pago pelo Japão - 1,8 milhão de mortes militares, completa aniquilação do seu exército, mais ou menos meio milhão de mortes civis, e absoluta destruição de praticamente todas as grandes áreas urbanas dentro das Home Islands - é a testemunha muda da loucura dos seus líderes militares.

* Retirado e adaptado do site http://www.combinedfleet.com/economic.htm, minha tradução.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Joe DiMaggio

Joe DiMaggio é um jogador de baseball lendário. A primeira vez que ouvir falar dele foi lendo o livro de Ernest Hemingway, "O velho e o mar". No livro, Joe DiMaggio não é um personagem, mas é constantemente mencionado pelo protagonista Santiago, que o trata como se fosse um desportista superior a Pelé. Mais que um desportista, alguém a quem consultaria sobre diversos assuntos, mesmo sem nunca tê-lo conhecido. Santiago admira DiMaggio e gostaria de saber a opinião do jogador de baseball sobre sua pescaria, por exemplo. Mais tarde ouvi falar de DiMaggio pela segunda vez, na música Mrs. Robinson, de Paul Simon e Art Garfunkel. Os versos dizem: Where have you gone, Joe DiMaggio, a nation turns its lonely eyes to you. What's that you say, Mrs. Robinson? Joltin' Joe has left and gone away. Que traduzo como: Aonde você foi, Joe DiMaggio, uma nação lança seu olhar solitário a ti. O que é que você disse, Sra. Robinson? Joltin' Joe nos deixou e foi embora. Também li que o Joe ficou meio chateado com esses versos e respondeu que não tinha ido a lugar algum, porém Paul Simon explicou que os versos eram uma homenagem à despretensiosa estatura heróica do ex-jogador numa época em que a cultura pop distorce a imagem que temos dos heróis. A frase é um retrato da busca e valorização dos heróis dos americanos. Aqui no Brasil, eu incluso, poucas pessoas respeitam o Pelé, por exemplo, a ponto de se indagar o que ele acharia de alguma situação cotidiana ou extraordinária, como é descrito no livro "O velho e o mar". Mas Santiago, no meio da pescaria de um peixe fabuloso, diz a si mesmo: "Como eu gostaria que me visse agora o grande DiMaggio." E Paul Simon o lembra numa música como um dos grandes heróis americanos. Aonde eu queria chegar com esse texto? Lugar algum, realmente. Apenas anotações mentais que ponho agora no papel.

Parábolas

Muitos reclamam que as palavras dos sábios são sempre meras parábolas e não têm utilidade na vida diária, que é a única vida que temos. Quando o sábio diz: "Vá em frente", ele não quer dizer que você deva viajar para algum lugar de fato, o que poderíamos fazer, mesmo assim, se o esforço valesse a pena; ele fala sobre algum lugar fabuloso, algo desconhecido para nós, algo que ele também não consegue definir de maneira precisa, logo é algo que não pode nos ajudar aqui no fim das contas. Todas essas parábolas apenas acabam explicando meramente que o incompreensível é incompreensível, e isso nós já sabemos. Mas os afazeres com os quais temos que lidar todos os dias: isso é um assunto diferente.

A respeito disso um homem disse certa vez: Por que tal relutância? Se apenas seguissem as parábolas, vocês mesmos se tornariam parábolas e dessa forma se livrariam de todos os seus afazeres diários.

Um outro respondeu: Eu aposto que isso também é uma parábola.

O primeiro disse: Você venceu.

E o segundo disse: Mas infelizmente apenas em parábola.

O primeiro disse: Não, na realidade. Na parábola você perdeu.

Por Franz Kafka, originalmente em alemão, traduzido do inglês por mim.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dicas para usuários de caixas de banco

Dinheiro: traga o dinheiro estirado e agregado pelos valores das notas. Todas as notas de 100 juntas. De preferência, o dinheiro deve estar também encabeçado, ou seja todas as notas na mesma posição. Isso facilita a vida do caixa. Trazer dinheiro misturado e separado de 100 em 100, dobradinho, como muitos costumam fazer, é um atraso. O caixa vai ter que desfazer essa arrumação e juntar as notas do mesmo valor para só então iniciar a contagem. Por mais que você ache que seu dinheiro estava todo arrumadinho, o caixa precisa conferir todas as notas, inclusive a autenticidade das mesmas, e para isso o ideal é que elas estejam juntas por valor, e não reunidas de qualquer forma para formar 100 reais. Evite também amassar, riscar ou grampear o dinheiro. Essa atitude põe a cédula a perder e gera prejuízos. Em resumo, se você tiver vinte cédulas de 20 reais, trinta de 10 reais e dez notas de 5,00, não misture essas cédulas formando 100 reais em cada. Traga-as estiradas e empilhadas por valor todas de 20, todas de 10, todas de 5. A fila do banco vai andar muito mais rápido se todos fizerem isso.

Boleto: O caixa do banco não tem o menor interesse nos seus gastos telefônicos nem com cartão de crédito. Por isso é muito melhor se você trouxer apenas a parte do boleto/conta que o caixa vai utilizar. É muito mais rápido, pois o caixa não perde tempo recortando papel, nem fica sabendo que você gastou 29,90 assinando um site pornográfico com o cartão de crédito. As filas do banco são demoradas, fazer com que o funcionário perca tempo recortando papéis e grampeando recibos torna a coisa muito pior. Se todos levarem apenas a parte que interessa para realizar o pagamento, ganha-se em rapidez e privacidade também.

Cheques: Para sacar um cheque no banco é necessário que se apresente também um documento de identificação. RG, CTPS, CNH, Carteira de reservista, ou outros documentos de fé pública. CPF não serve. Carteirinha da biblioteca também não. O caixa precisa conferir se o cheque está sendo pago a quem o emitente ordenou. Para isso, o beneficiário tem que assinar nas costas do cheque, e o caixa precisa comparar a assinatura com o documento de identificação. Sem isso, nada feito. Cheque acima de 100 reais, tem que estar obrigatoriamente nominativo. Não deposite cheques acima desse valor, em envelopes, sem colocar o nome, pois eles voltam. E não é obrigação do caixa preencher nenhum campo do cheque. Isso está a cargo do emitente. E cheque cruzado tem que ser depositado. Não tem jeito.

Informações: Caixa não é balcão de consultas nem informações. Saldo e extrato se consegue nos terminais de auto atendimento ou no atendimento pessoal da agência bancária. O caixa do banco tem uma fila enorme para atender e não pode perder tempo dando informações e fazendo consulta de saldos. Caixa é para pagamentos e recebimentos. Se você pretende fazer algo além de pagar ou receber, dirija-se a outro setor da agência.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A evolução de Rocha, de Tropa de Elite para Tropa de Elite 2

O personagem Rocha no filme Tropa de Elite, aparece como apenas mais um dos muitos policiais corruptos do primeiro filme, mas seu papel era pequeno. Aproveitava-se de que era responsável pela escala de férias dos policiais sob seu comando para exigir deles um por fora, senão as sonhadas férias não saiam. Marcou com as frases "Eu posso até te ajudar, aliás, eu vou te ajudar! Eu quero te ajudar! Mas agora você tem que me ajudar a te ajudar" e "Soldado, se você quer rir, tem que fazer rir!" que naquele momento representavam apenas mais uma das muitas facetas da PM demonstradas na trama. Mais um funcionário público utilizando-se do seu cargo burocrático para conseguir dinheiro, coisa que faz parte da paisagem brasileira. Quem via aquela atitude de Rocha não chegava a considerá-lo um sujeito fisicamente perigoso, era um policial corrupto, mas ele estava apenas ganhando dinheiro com as férias dos outros, não era apresentado matando ninguém. Em Tropa de Elite 2, o quadro muda. Rocha é visto como um miliciano amedrontador e nocivo, capaz de assassinar um colega pelas costas, atitude que beira o extremo da vilania. O personagem me surpreendeu, e não digo isso de forma negativa ou positiva, mas apenas de não esperar mesmo as barbaridades que ele praticou no filme. Eu assistia e ainda tinha dúvidas. Conheço esse sujeito do outro filme, mas é ele mesmo? Ele é capaz disso? Afinal, era apenas um burocrata corrupto, quase um almofadinha na corporação. Como ele se tornou esse assassino frio e traíra?
Eu continuo achando que há uma diferença grande entre um policial que pede um por fora para liberar as férias do colega e um policial que é capaz de assassinar um colega pelas costas. Não dá para comparar essas duas coisas. Porém o filme chama a atenção no caso exemplar desse personagem para a questão dos valores. Se um sujeito passa anos praticando um ato ilícito aparentemente inofensivo para obter vantagens pessoais, e esse sujeito tem um certo poder e a permissão para usar uma arma de fogo, não deveria realmente surpreender que ele pudesse chegar ao extremo de tirar a vida de um colega sem sentir remorso, para salvar a própria pele e continuar obtendo vantagens financeiras. Não dá para se comparar a atitude inicial com a atitude final de Rocha, mas dá para entender como ele chegou lá. Perdendo o senso, o caráter, corrompendo os próprios valores. Quando os valores morais deixam de existir, a vida dos outros passa a ser um mero obstáculo que pode ser eliminado sem remorsos. E para um policial, dadas as circunstâncias e o meio, esse caminho é percorrido com mais facilidade do que em qualquer outra profissão. É por isso que o Rocha das férias, do Tropa 1 tem que ser defenestrado da força policial o quanto antes seja possível. Aquele PM que aceita uma cervejinha de suborno pode muito bem se tornar no Rocha do Tropa de Elite 2.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Bolivian Army Ending e Mexican Standoff

*** Esse post sobre cinema pode conter spoilers ***

Bolivian Army Ending - Os fanáticos por cinema devem conhecer a cena final de Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid, 1969). Os personagens título terminam o filme cercados pelo exército boliviano. A perspectiva dada a quem assiste ao filme é de que não há escapatória. Os otimistas esperam que os protagonistas consigam escapar miraculosamente na cena seguinte, os pessimistas esperam que ver o exército boliviano chacinando os dois cowboys. Mas o filme acaba e nada é mostrado. O final não é decidido. Esse tipo de final é comum em filmes e ganhou esse nome, que traduz como Final do Exército Boliviano.

Mexican Standoff - Outra cena clássica. Diversos personagens estão apontando uma arma uns aos outros. Belos exemplos em Cães de Aluguel, Matrix Revolutions, Resgate do Soldado Ryan, Bastardos Inglórios, Pulp Fiction. Aliás, difícil não haver uma cena dessas num filme de Quentin Tarantino. O termo se originou na Austrália no século XIX, e se deve à percepção de indecisão política do México. Também o filme Três Homens em Conflito (The Good, the Bad and the Ugly) vem com uma cena dessas, no que seria uma alusão ao título e um resumo do próprio filme.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Cadê meu jetpack?

Fui enganado. Passei a infância lendo sobre como no ano 2000 as pessoas poderiam usar suas mochilas-foguetes para ir ao trabalho. Lembro até mesmo de figuras de crianças indo à escola com seus jetpacks. O jetpack seria hoje um meio de transporte comum como era a bicicleta nos anos 80, e poderia ser usado até mesmo por crianças. E agora? Dez anos depois do ano 2000, onde está o meu jetpack? Infelizmente não chegamos lá, nem parece que chegaremos nos próximos anos. Os carros continuam tendo pneus, que furam e têm que ser trocados. Estamos a apenas cinco anos do futuro retratado em De Volta para o Futuro II, e nem sinal de converter carros em hovers, muito menos skates sem rodas.

Pateta no Trânsito


Curta da Disney chamado Motor Mania, estrelando o Pateta. Feito em 1950, mas parece que não mudou nada nesses 60 anos.

domingo, 14 de novembro de 2010

Peixes

 Esse é o único peixe do meu aquário que posa pra foto. É uma fêmea de Betta splendens. Ela é novata no aquário, mas já tomou conta dos dois barris furados de resina que enfeitam o fundo. O macho dessa espécie não pode viver em aquários comunitários, pois é um peixe muito agressivo.
Essa é minha gang de Hyphessobrycon eques, conhecidos como Tetra Mato Grosso, um peixe ornamental encontrado no rio Paraná, no Brasil. Dizem que esses peixes costumam atacar os peixes de caudas grandes, como os kinguios, mas os meus estão bem comportados. Eles costumam ficar tímidos e se amontoar num canto quando a gente chega perto, por isso consegui tirar essa foto. Quando ninguém está olhando, circulam pelo aquário todo, mas sem incomodar os outros peixes.

Quebra-cabeças

Esse é o puzzle da Grow com 500 peças que eu e minha esposa terminamos de montar hoje. Trata-se do veleiro britânico Cutty Sark, construído em 1869, e utilizado para transporte de chá. O objetivo é transformar num quadro decorativo e para isso já colamos o quebra-cabeças com uma cola especial, que adquiri no site walmart, nesse link. A cola é muito eficaz, e fica transparente depois que seca. Gostei muito do resultado, agora só falta mandar emoldurar.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Assinatura de quadrinhos Disney de volta

O pacote de assinaturas Disney já está disponível no site Assine Abril:
- Link direto: http://www.assineabril.com.br/assinar/revista-quadrinhos-disney/?campanha=2Q21&id=menucombo
Pacotes de 1 ano: A vista = R$ 139,30 ou em 7x de R$ 19,90
Pacotes de 2 anos: A vista = R$ 274,80 ou em 12X de 22,90
Estão incluídos no pacote: Mickey, Tio Patinhas, Zé Carioca e Pato Donald.
As entregas são mensais. Para mais informações sobre data de entrega:
Central de Atendimento:
Grande São Paulo: 3347- 2121
Demais localidades: 0800 775 2828

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Para Aécio Neves

Respeita Januário

Luiz Gonzaga


Composição: Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira

Quando eu voltei lá no sertão
Eu quis mangar de Januário
Com meu fole prateado
Só de baixo, cento e vinte, botão preto bem juntinho
Como nêgo empareado
Mas antes de fazer bonito de passagem por Granito
Foram logo me dizendo:
"De Itaboca à Rancharia, de Salgueiro à Bodocó, Januário é o maior!"
E foi aí que me falou meio zangado o véi Jacó:
Luíz respeita Januário
Luíz respeita Januário
Luíz, tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
E com ele ninguém vai, Luíz
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!

Eita com seiscentos milhões, mas já se viu!
Dispois que esse fi de Januário vortô do sul
Tem sido um arvorosso da peste lá pra banda do Novo Exu
Todo mundo vai ver o diabo do nego
Eu também fui, mas não gostei
O nego tá muito mudificado
Nem parece aquele mulequim que saiu daqui em 1930
Era malero, bochudo, cabeça-de-papagaio, zambeta, feeei pa peste!
Qual o quê!
O nêgo agora tá gordo que parece um major!
É uma casemiralascada!
Um dinheiro danado!
Enricou! Tá rico!
Pelos cálculos que eu fiz,
ele deve possuir pra mais de 10 contos de réis!
Safonona grande danada 120 baixos!
É muito baixo!
Eu nem sei pra que tanto baixo!
Porque arreparando bem ele só toca em 2.
Januário não!
O fole de Januário tem 8 baixos, mas ele toca em todos 8
Sabe de uma coisa? Luiz tá com muito cartaz!
É um cartaz da peste!
Mas ele precisa respeitar os 8 baixos do pai dele
E é por isso que eu canto assim!

"Luí" respeita Januário
"Luí" respeita Januário
"Luí", tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
Nem com ele ninguém vai, "Luí"
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Futuro

Vim do futuro e sei que Dilma sofreu impeachment no início de 2012 por causa de um Fiat Novo Uno. Michel Temer assumiu a presidência e é candidato derrotado a reeleição em 2014. Lula, pelo PT e Aécio Neves, pelo PMG também foram candidatos, mas não passaram do primeiro turno. José Serra, ainda no PSDB, venceu a eleição.

domingo, 24 de outubro de 2010

Filme A Princesa Prometida - de Rob Reiner

A Princesa Prometida é o que se pode chamar de filme bacana. Presta uma verdadeira homenagem aos filmes de espadachim, da época em que Errol Flynn reinava nas telas. O filme possui uma infinidade de frases e diálogos legais, por isso separei dois. O primeiro é muito interessante por causa do incentivo à leitura que contém. O segundo eu separei porque há nele um exemplo claríssimo de um personagem que entende o Princípio da Conservação do Ninjutsu, já citado anteriormente aqui no blog. No original e com minha tradução.

The Grandson: A book?
Grandpa: That's right. When I was your age, television was called books. And this is a special book. It was the book my father used to read to me when I was sick, and I used to read it to your father. And today I'm gonna read it to you.
The Grandson: Has it got any sports in it?
Grandpa: Are you kidding? Fencing, fighting, torture, revenge, giants, monsters, chases, escapes, true love, miracles...
The Grandson: Doesn't sound too bad. I'll try to stay awake.
Grandpa: Oh, well, thank you very much, very nice of you. Your vote of confidence is overwhelming.

O Neto: Um livro?
Vovô: Isso mesmo. Quando eu tinha sua idade, televisão se chamava livros. E este é um livro especial. É o livro que meu pai costumava ler quando eu ficava doente, e eu costumava ler para o seu pai. E hoje eu vou ler para você.
O Neto: Tem algum esporte nele?
Vovô: Tá brincando? Esgrima, luta, tortura, vingança, gigantes, monstros, caçadas, fugas, amor verdadeiro, milagres...
O Neto: Não parece ruim. Eu vou tentar ficar acordado.
Vovô: Oh, está bem, muitíssimo obrigado, muito legal da sua parte. Seu voto de confiança é esmagador.


Fezzik: I just figured out why you would give me so much trouble. 
Man in Black: Why is that, do you think? 
Fezzik: Well, I haven't fought just one person for so long... I've been specializing in groups, fighting gangs for local charities... that kind of thing. 
Man in Black: Why should that make such a difference? 
Fezzik: You see, you use different moves when you're fighting half a dozen people than when you only have to worry about one.

Fezzik: Eu acabo de perceber porque você está me causando tanta dificuldade.
Homem de Preto: Por que seria, pode me contar?
Fezzik: Bem, eu não luto com apenas uma pessoa há muito tempo... eu tenho me especializado em grupos, lutando contra gangues para instituições de caridade... esse tipo de coisa.
Homem de Preto: Por que isso deveria fazer tanta diferença?
Fezzik: Veja bem, você usa movimentos diferentes quando luta contra meia dúzia de pessoas e quando tem que se preocupar com apenas um.

Sinais, filme de M Night Shyamalan

***
Atenção, esse artigo relata partes de um filme, podendo estragá-lo para quem ainda não assistiu. Se for esse o seu caso continue por sua própria conta e risco.
***

Hoje assisti a esse filme com minha esposa. Gosto muito das atuações do Mel Gibson, mas considero que esse é o filme onde M Night Shyamalan começou sua longa jornada de pisadas na bola. O filme é sobre uma invasão alienígena. Os aliens são retratados como criaturas inteligentes, com capacidade superior de resolução de problemas. Nós observamos essa superioridade assistindo aos aliens correndo durante a noite e batendo em portas e janelas. Quanto às habilidades físicas, os extraterrestres podem saltar pelo menos três metros de altura, mas são incapazes de derrubar uma simples porta. E de maneira impressionante, tentam invadir a Terra sem nenhuma arma de fogo, apenas o que parece ser um lançador de gás venenoso. Eles possuem a tecnologia que torna possível viagens intergaláctias, mas não trouxeram um mísero laser para a briga. O pior vem agora. Os sábios aliens tentaram invandir um planeta composto por 70% de água, provavelmente a substância mais abundante em nosso planeta, sendo essa exatamente a sua kryptonita. Congratulations, Shyamalan!


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2

Assisti ao filme Tropa de Elite 2 ontem. Num rápido relance nos patrocinadores do filme que costumam aparecer no início dos longas brasileiros, a ausência ilustre das nossas estatais. Acho que os suaves ataques feitos às ONGs esquerdistas no filme anterior fez com que o governo desse ordem para cortar verba da continuação. Que injustiça do Lula. O filme é muito bom, mas acaba salvando a pele dos intelectuais de esquerda do meio para o final. No mais, produção excelente, boa história, bons atores. Altamente recomendado.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fábula Curta, de Franz Kafka

"Ai de mim!", disse o rato, " - o mundo vai ficando dia a dia mais estreito" . "- Outrora, tão grande era que ganhei medo e corri, corri até que finalmente fiquei contente por ver aparecerem muros de ambos os lados do horizonte, mas estes altos muros correm tão rapidamente um ao encontro do outro que eis-me já no fim do percurso, vendo ao fundo a ratoeira em que irei cair". "- Mas o que tens a fazer é mudar de direção", disse o gato, devorando-o.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Superman avaliado




Superman já foi avaliado por outros personagens de ficção. Segue o discurso de Bill, personagem de Kill Bill, original e minha tradução.

As you know, I'm quite keen of comic books, especially the ones about superheroes. I find the whole mythology surrounding superheroes fascinating. Take my favorite superhero; Superman, not a great comic book, not particularly well-drawn, but the mythology; the mythology is not only great, it's unique.
Now, the staple of the superhero mythology is; there is the superhero and there is the alter ego. Batman is actually Bruce Wayne, Spiderman is actually Peter Parker; when that character wakes up in the morning, he's Peter Parker. He has to put on a costume to become Spiderman and it is in that characteristic, Superman stands alone. Superman didn't become Superman, Superman was born Superman. When superman wakes up in the morning, he's Superman. His alter ego is Clark Kent. His outfit with the big red “S”. That's the blanket he was wrapped in as a baby when the Kents found him. Those are his clothes. What Kent wears; the glasses, the business suit, that's the costume; that’s the costume that Superman wears to blend in with us. Clark Kent is how Superman views us, and what are the characteristics of Clark Kent; he’s weak, he’s unsure of himself, he’s a coward. Clark Kent is Superman’s critique on the whole human race, sorta like Beatrix Kiddo and Mrs. Tommy Plympton.

Como você sabe, sou um grande fã de quadrinhos, especialmente aqueles sobre super-heróis. Eu acho fascinante toda a mitologia que cerca os super-heróis. Por exemplo o meu super-herói favorito; Superman, não é um grande gibi, não é especialmente bem desenhado, mas a mitologia; a mitologia não é apenas grandiosa, é única.
Agora, a regra da mitologia dos super-heróis é: há um super-herói e há o seu alter ego. Batman é na verdade Bruce Wayne, Homem-Aranha é na verdade Peter Parker; quando aquele indivíduo acorda pela manhã, ele é Peter Parker. Ele tem que por um traje e virar Homem-Aranha e é nessa característica que Superman se torna único. Superman não virou Superman, Superman nasceu Superman. Quando Superman acorda pela manhã, ele é Superman. Seu alter ego é Clark Kent. O seu traje com o grande "S" vermelho. Aquilo era o cobertor no qual ele estava envolto quando era bebê quando os Kent encontraram-no. Aquelas são suas roupas. O que Kent veste; os óculos, o terno, aquilo é o disfarce; aquele é o disfarce que Superman usa para se misturar conosco. Clark Kent é como Superman nos vê, e quais são as características de Clark Kent? Ele é fraco, ele não é confiante, ele é um covarde. Clark Kent é a crítica de Superman a toda raça humana, algo como Beatrix Kiddo e Sra. Tommy Plympton*.

* NT: Aqui Bill se refere ao fato da Noiva, Beatrix Kiddo, tentar mudar de vida e identidade ao se casar com Tommy Plympton, tornando-se Sra. Tommy Plympton.

O personagem Batman também já disse algo muito interessante sobre Superman. Segue:

"It is a remarkable dichotomy. In many ways, Clark is the most human of us all. Then... he shoots fire from the skies, and it is difficult not to think of him as a god. And how fortunate we all are that it does not occur to him."

É uma dicotomia notável. Em muitos aspectos, Clark é o mais humano de todos nós. Então... ele atira fogo dos céus, e é difícil não imaginá-lo como um deus. Oh, como todos nós somos afortunados que isso não ocorra a ele próprio.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sem posts

Cuidando do aquário novo e do blog de meu pai, que está se recuperando. Por isso não pude postar aqui até agora.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quando 007 resolve se vestir de He-man

Essa é a única explicação que eu consigo encontrar para a foto ao lado. Sou um grande fã de Sean Connery, mas apenas outro dia descobri que ele fez um filme chamado Zardoz, de 1974, onde desfilava num cenário pós-apocalíptico enquanto vestia algo que, não fosse a data do filme, me faria supor que é um cosplay do He-man. Como Sean Connery aceitou se vestir dessa maneira é um fato que está muito além da minha humilde compreensão, mas como consolo, eu sempre vou poder guardar uma certeza: Clint Eastwood jamais faria isso. A foto fica aí para que todos possam um dia dizer que riram de Sean Connery. Com toda razão. Mas nunca rirão de Clint Eastwood.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Cena de Monty Python em Busca do Cálice Sagrado



Transcrição original e tradução da cena antológica do filme Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, com a luta entre Arthur e o Cavaleiro Negro, e um diálogo inacreditável, que até hoje é usado como referência para adversários que não sabem reconhecer uma derrota óbvia.


ARTHUR:  You fight with the strength of many men, Sir knight.
      I am Arthur, King of the Britons.
      [pause]
      I seek the finest and the bravest knights in the land to join me in my Court of Camelot.
      [pause]
      You have proved yourself worthy; will you join me?
      [pause]
      You make me sad.  So be it.  Come, Patsy.
  BLACK KNIGHT:  None shall pass.
  ARTHUR:  What?
  BLACK KNIGHT:  None shall pass.
  ARTHUR:  I have no quarrel with you, good Sir knight, but I must cross this bridge.
  BLACK KNIGHT:  Then you shall die.
  ARTHUR: I command you as King of the Britons to stand aside!
  BLACK KNIGHT:  I move for no man.
  ARTHUR:  So be it!
      [hah]
      [parry thrust]
      [ARTHUR chops the BLACK KNIGHT's left arm off]
  ARTHUR:  Now stand aside, worthy adversary.
  BLACK KNIGHT:  'Tis but a scratch.
  ARTHUR:  A scratch?  Your arm's off!
  BLACK KNIGHT:  No, it isn't.
  ARTHUR:  Well, what's that then?
  BLACK KNIGHT:  I've had worse.
  ARTHUR:  You liar!
  BLACK KNIGHT:  Come on you pansy!
      [hah]
      [parry thrust]
      [ARTHUR chops the BLACK KNIGHT's right arm off]
  ARTHUR:  Victory is mine!
      [kneeling]
      We thank thee Lord, that in thy merc-
      [hah]
  BLACK KNIGHT:  Come on then.
  ARTHUR:  What?
  BLACK KNIGHT:  Have at you!
  ARTHUR: You are indeed brave, Sir knight, but the fight is mine.
  BLACK KNIGHT:  Oh, had enough, eh?
  ARTHUR:  Look, you stupid bastard, you've got no arms left.
  BLACK KNIGHT:  Yes I have.
  ARTHUR:  Look!
  BLACK KNIGHT:  Just a flesh wound.
      [bang]
  ARTHUR:  Look, stop that.
  BLACK KNIGHT:  Chicken!  Chicken!
  ARTHUR:  Look, I'll have your leg.  Right!
      [whop]
  BLACK KNIGHT:  Right, I'll do you for that!
  ARTHUR:  You'll what?
  BLACK KNIGHT:  Come 'ere!
  ARTHUR:  What are you going to do, bleed on me?
  BLACK KNIGHT:  I'm invincible!
  ARTHUR:  You're a loony.
  BLACK KNIGHT:  The Black Knight always triumphs!
      Have at you!  Come on then.
      [whop]
      [ARTHUR chops the BLACK KNIGHT's other leg off]
  BLACK KNIGHT:  All right; we'll call it a draw.
  ARTHUR:  Come, Patsy.
  BLACK KNIGHT:  Oh, oh, I see, running away then.  You yellow
      bastards!  Come back here and take what's coming to you.
      I'll bite your legs off!


Tradução

ARTHUR: Você luta com a força de muitos homens, senhor cavaleiro.
Eu sou Arthur, rei dos bretões.
[silêncio]
Eu busco os melhores e mais valorosos cavaleiros desta terra para juntar-se a mim na Corte de Camelot.
[silêncio]
Você provou ser merecedor; quer juntar-se a mim?
[silêncio]
Você me entristece. Assim seja. Vamos, Patsy.
CAVALEIRO NEGRO: Ninguém passará.
ARTHUR: O quê?
CAVALEIRO NEGRO: Ninguém passará.
ARTHUR: Não tenho nenhuma richa contigo, bom cavaleiro, mas eu preciso atravessar a ponte.
CAVALEIRO NEGRO: Então você irá morrer.
ARTHUR: Eu te ordeno, como Rei dos Bretões, saia da frente!
CAVALEIRO NEGRO: Não saio para homem algum.
ARTHUR: Então assim seja!
[começam a lutar]
[Arthur corta o braço esquerdo do Cavaleiro Negro]
ARTHUR: Agora saia da frente, valoroso adversário.
CAVALEIRO NEGRO: Isso é apenas um arranhão.
ARTHUR: Um arranhão? Você perdeu seu braço!
CAVALEIRO NEGRO: Não perdi.
ARTHUR: Então o que é isso?
CAVALEIRO NEGRO: Já estive pior.
ARTHUR: Mentiroso!
CAVALEIRO NEGRO: Venha, seu maricas!
[lutam novamente]
[Arthur corta o braço direito do Cavaleiro Negro]
ARTHUR: A vitória é minha!
[ajoelha-se]
ARTHUR: Agradecemos a ti, Senhor, que na tua miseric...
[Cavaleiro Negro ataca]
CAVALEIRO NEGRO: Pode vir.
ARTHUR: O quê?
CAVALEIRO NEGRO: Venha!
ARTHUR: Você é verdadeiramente valente, cavaleiro, mas a luta é minha.
CAVALEIRO NEGRO: Oh, já teve o bastante, né?
ARTHUR: Olhe, bastardo estúpido, você não tem mais braço nenhum.
CAVALEIRO NEGRO: Sim, eu tenho.
ARTHUR: Olhe!
CAVALEIRO NEGRO: Um mero ferimento na carne.
[Cavaleiro Negro ataca Arthur]
ARTHUR: Pare com isso.
CAVALEIRO NEGRO: Covarde! Covarde!
ARTHUR: Veja, vou arrancar sua perna. Certo!
[Arthur arranca a perna do Cavaleiro Negro]
CAVALEIRO NEGRO: Agora vou acabar contigo por causa disso!
ARTHUR: Você vai o quê?
CAVALEIRO NEGRO: Venha aqui!
ARTHUR: O que você vai fazer, sangrar em mim?
CAVALEIRO NEGRO: Eu sou invencível!
ARTHUR: Você é um lunático.
CAVALEIRO NEGRO: O Cavaleiro Negro sempre triunfa! Venha! Pode vir!
[Arthur corta a outra perna do Cavaleiro Negro]
CAVALEIRO NEGRO: Tá certo; vamos considerar isso um empate.
ARTHUR: Venha, Patsy.
CAVALEIRO NEGRO: Ah-ha, estou vendo, tá correndo, né? Seu bastardo covarde! Volte aqui e veja o que está esperando você. Eu vou morder sua perna!

sábado, 25 de setembro de 2010

Tweet citado na coluna "Caiu na Rede!"



Só hoje fui avisado que o meu tweet foi citado na coluna Caiu na Rede! da jornalista Adriana Vasconcelos, no site do jornal O Globo, no post de 28/08/2010. A coluna pode ser lida através do permalink clicando aqui.

Quando postei esse tweet recebi alguns comentários incrédulos. Um twitteiro zombou do meu comentário e perguntou se impeachment era brincadeira. Respondi que Collor foi impeachmado por causa de um Fiat Elba e ele retorquiu que os tempos são outros. Sim, Lula tem amplo apoio popular e o PMDB não tem nada a ganhar se peitá-lo. Mas tendo o vice da atual chapa, e muito a lucrar no caso de impedimento da titular, o PMDB pode acabar ganhando uma presidência de presente.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Antiga oração dos pescadores bretões


No filme "Treze dias que abalaram o mundo", podemos ver esta plaqueta e sua inscrição, traduzindo significa "Oh Deus, vosso mar é tão grande e o meu barco é tão pequeno." O almirante Hyman Rickover costumava dar placas semelhantes aos novos capitães de submarino e deu uma ao presidente Kennedy, que gostava muito da frase e mantinha a plaqueta no salão oval. É um claro sinal de humildade perante a grandeza de Deus. Nada é pedido. Apenas uma constatação humilde, que impressiona pela simplicidade.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Velho Código

Do filme Coração de Dragão, o velho código dos cavaleiros. Não é histórico, e foi criado para o filme, mas é muito interessante:

A knight is sworn to valor.
His heart knows only virtue.
His blade defends the helpless.
His might upholds the weak.
His word speaks only truth.
His wrath undoes the wicked.

Um cavaleiro é devotado à bravura.
Seu coração conhece apenas virtude.
Sua espada protege os desvalidos.
Sua força dá suporte aos fracos.
Sua palavra diz apenas a verdade.
Sua fúria destrói os malfeitores.

Monólogo de Rocky Balboa

Alguns acreditam que Rocky Balboa não tem nada de útil a dizer. Eu discordo. Segue monólogo do último filme, onde Rocky profere um longo discurso para o filho, e a minha tradução.

I'd hold you up to say to your mother, "this kid's gonna be the best kid in the world. This kid's gonna be somebody better than anybody I ever knew." And you grew up good and wonderful. It was great just watching you, every day was like a privilege. Then the time come for you to be your own man and take on the world, and you did. But somewhere along the line, you changed. You stopped being you. You let people stick a finger in your face and tell you you're no good. And when things got hard, you started looking for something to blame, like a big shadow. Let me tell you something you already know. The world ain't all sunshine and rainbows. It is a very mean and nasty place, and I don't care how tough you are, it will beat you to your knees and keep you there permanently if you let it. You, me or nobody is going to hit as hard as life. But it ain't about how hard you hit. It's about how hard you can get hit and keep moving forward; how much you can take and keep moving forward. That's how winning is done! Now, if you know what you're worth, then go out and get what you're worth. But you gotta be willing to take the hit, and not pointing fingers saying you ain't where you are because of him, or her, or anybody. Cowards do that and that ain't you. You're better than that! I'm always gonna love you, no matter what. No matter what happens. You're my son, you're my blood. You're the best thing in my life. But until you start believing in yourself, you ain't gonna have a life.

Eu segurava você nos braços e dizia para sua mãe, "este garoto será o melhor garoto do mundo. Este garoto será alguém melhor que qualquer outra pessoa que eu já conheci." E você cresceu maravilhosamente. Era maravilhoso apenas assistir você, cada dia era um privilégio. Então chegou a hora de você ser um homem feito e conquistar o mundo, e você foi. Mas em algum momento da sua trajetória, você mudou. Você parou de ser você. Você deixou as pessoas colocarem o dedo na sua cara e dizer que você não prestava. E quando as coisas ficaram difíceis, você começou a procurar alguém pra culpar, como uma grande sombra. Deixa eu te dizer algo que você já sabe. O mundo não é um mar de rosas. É um lugar muito cruel e sórdido, e não importa o quão durão você seja, o mundo vai te bater até você ficar de joelhos e vai te manter assim permanentemente se você deixar. Nem você, nem eu, nem ninguém bate mais forte que a vida. Mas a questão não é quão forte você bate. A questão é o quanto você aguenta apanhar e continuar seguindo em frente; quanto você suporta e continua indo em frente. É disso que as vitórias são feitas! Agora, se você sabe o quanto você vale, então vá lá e reivindique. Mas você tem que estar disposto a suportar, e não apontar o dedo dizendo que você não está onde deveria estar por causa dele, dela, ou ninguém. Covardes fazem isso, e você não é covarde. Você é melhor que isso! Eu sempre amarei você, não importa o que aconteça. Não importa. Você é meu filho, meu sangue. Você é a melhor coisa da minha vida. Mas até que você comece a acreditar em si mesmo, não terá uma vida.

domingo, 19 de setembro de 2010

Diálogo perdido em Kill Bill vol. 2

O diálogo que se segue consta no rascunho do script de Kill Bill vol.2, mas não foi às telas na sua totalidade. Tarantino eliminou um pedaço interessante. Segue original e minha tradução.

BILL: I know this is a ridiculous question before I ask, but you by any chance haven't kept up with your swordplay?
BUDD: Hell, I pawned that years ago.
BILL: You pawned a Hattori Hanzo sword?
BUDD: Yep.
BILL: It was priceless.
BUDD: Not in El Paso it ain't. In El Paso I got me 250 Dollars for it.
BILL: Since it was a gift from me, why didn't you offer me the chance to buy it back?
BUDD: Because that would've required me to acknowledge your existence. Drunken bum though I may be, I don't need booze that bad. But who the hell gives a crap anyway. That bitch ain't gittin no Bushido points for killin a white trash piece of shit like me with a samurai sword. I'm a bouncer in a titty bar, Bill. If she wants to fight me, all she gotta do is come down to the Club, start some shit, and we'll be in a a fight.
BILL: -- Budd, you need to listen to me. I know we haven't spoken for quite some time, and the last time we spoke wasn't the most pleasant. But you need to get over being mad at me, and start becoming afraid of Bea. Because she is coming, and she's coming to kill you. And unless you accept my assistance, I have no doubt she will succeed.

BILL: Eu sei que é uma pergunta ridícula, mas será que por acaso você continuou seu treinamento com a espada?
BUDD: Diabos, eu a penhorei anos atrás.
BILL: Você penhorou uma espada Hattori Hanzo?
BUDD: Sim.
BILL: Ela não tinha preço.
BUDD: Tinha em El Paso, sim. Em El Paso ela me valeu 250 dólares.
BILL: Já que foi um presente meu, por que você não me de ofereceu a oportunidade de comprá-la de volta?
BUDD: Porque isso tornaria necessário que eu reconhecesse a sua existência. Ainda que eu seja um bêbado vagabundo, eu não preciso tanto assim de álcool. Mas quem se importa? Aquela cadela não vai conseguir nenhum ponto de bushido por matar um pedaço de lixo branco como eu com uma espada samurai. Eu sou um leão de chácara num bar de strippers, Bill. Se ela quer brigar comigo, tudo o que tem que fazer é vir ao clube, começar com algum barraco, e aí nós teremos uma briga.
BILL: Budd, me ouça. Eu sei que não conversamos por muito tempo, e a última vez que conversamos foi bastante desagradável. Mas você precisa superar o fato de estar zangado comigo, e começar a ficar com medo de Bea. Porque ela está vindo, e ela está vindo matar você, e a não ser que você aceite a minha ajuda, eu não tenho dúvidas que ela conseguirá.

Outra coisa interessante sobre esse diálogo é que Budd mente para Bill sem motivo aparente. Ele não penhorou a espada. Ou se a penhorou, já a resgatou e está de posse dela, visto que a espada aparece no seu trailer. Podemos supor que ele mentiu apenas para magoar o irmão, mas isso não é esclarecido no filme. A parte que foi cortada e que chamou minha atenção inicialmente é a maneira que Budd se refere aos "pontos de Bushido". Lembra algo como pontos de experiência, muito usados em videogames e RPGs, ou talvez pontos de Karma. Bushido é a filosofia marcial japonesa. No fim das contas o fato é que Budd recusa a ajuda do irmão, mas ainda assim, é o vilão que mais chega perto de vencer a heroína do filme.